Assessor de deputada é preso em ponto de venda de drogas
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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por J. Paulo da Silva 
Rio, 09 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico obteve hoje o que pode ser uma prova contundente do envolvimento da deputada estadual Núbia Cozzolino (PTB-RJ) com o narcotráfico: o seu companheiro e assessor parlamentar Renato Antello de Medeiros, o Renato Mosca, foi preso em flagrante num ponto de venda de drogas no Morro da Mangueira, na companhia do cabo da Polícia Militar Marco Antônio Sonsine. Os dois estavam no carro da deputada, um Gol com o logotipo "SOS Núbia" - marca do serviço de assistência que a parlamentar tem em seu retudo eleitoral, em Magé, no Grande Rio - no qual foram apreendidos grande quantidade de cocaína e duas armas carregadas.
As prisões de Renato Mosca e Sonsine constam do flagrante número 583/98, da 17ª Delegacia Policial, em São Cristóvão, na zona norte. De acordo com os policiais que trabalharam nas investigações, o caso ainda tramita na Justiça. Eles, entretanto
não souberam explicar as razões que permitiram a libertação de Renato Mosca. "Pelo que sabemos, ele está solto e trabalhando com a deputada", comentou um policial.
Esta nova prova complica ainda mais a situação da parlamentar, cujo nome é citado numa fita cassete entregue à CPI do Narcotráfico, com diálogo entre o traficante Rogério Marcos Souza, o Dinho, da favela de Parada Angélica, em Duque de Caxias
na Baixada Fluminense, e o ex-motorista da deputada, Geraldo Cabral, o Coroa - demitido por Núbia em 1994.
A conversa teria sido gravada em abril deste ano por Coroa, na visita que fez ao traficante, na 62ª Delegacia Policial, em Imbariê, também na Baixada. No diálogo entre os dois, também é citado o nome de Renato Mosca, como o responsável pelo transporte de drogas - que seria feito nas ambulâncias do serviço de assistência da parlamentar, em Magé.
Ainda na fita, que está sendo analisada por especialistas para definir a sua autencidade, Dinho diz a Coroa que precisa mais uma vez de Renato Mosca, para "agilizar as cargas na Favela Beira-Mar", reduto do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, o mais procurado traficante do Brasil e peça-chave da CPI do Narcotráfico.
Fernandinho Beira-Mar teria ligações, segundo alguns deputados da CPI, com a quadrilha do deputado cassado Hildebrando Pascoal, cuja organização que controlava teria ramificações em vários estados.


