Assessor de Delazari é preso por cobrar propina
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sábado, 17 de dezembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Uma investigação policial que durou cerca de quatro meses culminou ontem com a prisão de um dos principais assessores do secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. Jocler Procópio era presidente da Comissão de Mediação de Conflitos Agrários da secretaria e tinha cargo de confiança no governo do Estado. Ele foi flagrado em conversações telefônicas exigindo propina de pelo menos um fazendeiro para realização de reintegração de posse. A notícia pegou a todos de surpresa.
Jocler, que é advogado, já teve o boletim de exoneração públicado ontem em Diário Oficial. Na casa dele, no bairro Bigorrilho, em Curitiba, foi encontrado dinheiro que pode ter sido fruto de uma das negociações. Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, foram apreendidos na residência R$ 20 mil em dinheiro, 1 mil euros e R$ 55 mil em cheques.
Ainda segundo a secretaria, Procópio é acusado de cobrar R$ 250 mil de propina do proprietário de uma fazenda no interior do Estado. Ele teria cobrado o dinheiro logo depois de desocupar a fazenda, alegando que a propina evitaria nova invasão.
Este não seria o único crime cometido por Jocler, como chefe da comissão. De acordo com Marcos Prochet, presidente da União Democrática Ruralista (UDR), os pedidos de propina são comuns há vários governos. ''Sempre existiu essa prática dentro dos conflitos agrários. Infelizmente a gente não consegue combater a corrupção'', disse Prochet.
O ruralista contou que vários fazendeiros reclamavam de estarem sendo ''chantageados'' por Jocler para a retirada dos sem-terra das áreas com reintegração determinada pela Justiça. ''Sempre ocorria isto. Nas estrelinhas, ele pedia dinheiro. Nunca pedia diretamente para ele. Mas sabíamos que era isto mesmo. Os valores eram sempre entre R$ 30 mil e R$ 50 mil. Teve gente que deu dinheiro e que não teve a reintegração cumprida por vazamento da informação'', comentou. O método de atuação era sempre o mesmo. Jocler conversava com o secretário Delazari segundo Prochet , convencia da necessidade de desocupar um imóvel, aguardava o despacho oficial e pedia dinheiro para os fazendeiros.


