Assessor da CPI do Judiciário diz que Estevão ameaçou o processar
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Rosa Costa 
Brasília, 05 (AE) - O assessor da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado Pedrito confirmou hoje que o senador Luiz Estevão (PMDB-DF) ameaçou processar ele e os colegas de trabalho dele pela liberação de documentos sigilosos. Ouvidos como testemunhas de defesa de Estevão no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, Pedrito e Francisco Naurides Barros foram acareados, a pedido do relator Jefferson Péres (PDT-AM). O relator fez o pedido para checar quem dizia a verdade: Barros, que negou a informação, embora tenha sido quem atendeu ao telefonema do senador, ou Pedrito, encarregado da coordenação dos trabalhos. "Naurides disse que o senador afirmou que a corda poderia arrebentar do lado mais fraco", falou o assessor. Barros disse que omitiu a informação porque não havia entendido a pergunta do relator. Eles foram ouvidos como defesa no ponto da acusação contra Estevão em que sete partidos de oposição afirmam que o parlamentar teria pressionado os técnicos da CPI para dificultar as investigações sobre o desvio de R$ 169 milhões dos R$ 263 milhões repassados às obras do Fórum trabalhista de São Paulo. Estevão e o advogado dele, Felipe Amodeo, agiram como se as suspeitas existentes contra o senador - de que teria participado desse esquema - se devessem exclusivamente a falhas da assessoria da CPI. Os servidores, incluindo a secretária Dulcída Calhao, pareciam intimidados. Eles, que, no decorrer da comissão, mostravam-se desconfortáveis pela insistência de Estevão em "cercar" o trabalho de cada um, deram razão ao senador por ter agido como agiu. Um dos lances de Estevão, agora tido como "uma preocupação em saber quem mexia com os papéis da CPI", foi o de pedir nome, função e matrícula de cada um deles.
Outras testemunhas de defesa de Estevão, o ministro Marcos Villaça, do Tribunal de Contas da União (TCU) e o ex-ministro Paulo Afonso Martins, vão se manifestar por escrito. A data da próxima reunião do Conselho de Ética ainda não foi marcada. O fato é que, hoje, é impossível dizer se o julgamento da representação contra Estevão, por falta de decoro parlamentar
será concluído.
Os primeiros impedimentos contra a representação, entregue em 8 de dezembro ao presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), foram dois pareceres opostos assinados pela advogada-geral do Senado, Josefina Valle de Oliveira Pinha.
Nesses quatro meses, houve a apresentação da defesa escrita de Estevão e os primeiros pedidos de Péres, que ainda não foram atendidos. Há cerca de um mês, ele pediu ao presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Ramez Tebet (PMDB-MS)
que submetesse a um terceiro perito os laudos apresentados por Estevão que confirmariam a autenticidade de negócios que ele teria realizado com empresas do grupo Monteiro de Barros, responsável pelas obras do Fórum. Tebet alegou que ainda não atendeu ao pedido porque está analisando a possibilidade de contratar uma entidade para emitir novos laudos em vez de um único profissional.


