Brasília, 24 (AE) - O analista legislativo do Senado Murillo Porto, acusado pela empregada doméstica E., de 19 anos, de tê-la transformado em sua escrava sexual, disse hoje estar sendo vítima de uma "vingança sórdida". Porto afirmou que a acusação é resultado do ciúme que E. tinha de sua ex-mulher, Ucilane Porto, que também está presa. O assessor afirmou que várias marcas que aparecem nas fotos de E. nua são de batom, não de sangue. Ele não soube explicar a origem dos vários ferimentos no corpo da doméstica.
Assessor legislativo conhecido por sua conduta rígida com os funcionários do Senado, cobrando o cumprimento de todas as regras trabalhistas, Porto admitiu que em sete meses não pagou nenhum salário a E. Ele afirmou que começou a "namorar" a garota no segundo dia da contratação e que combinou pagar tudo "em presentes". Disse que deu jóias, roupas e R$ 60 para a mãe de E. Segundo ele, a empregada chegou a viajar para o Piauí, em dezembro, e voltou a Brasília. "Ela ia no médico sozinha", disse.
O assessor afirmou que foi E. quem o convenceu a adotar práticas sadomasoquistas. Ele afirmou que a garota tinha revelado que namorara um senhor de idade e que gostava de ser espancada quando tinha relações sexuais. Porto disse que houve um "casamento" de interesses comuns.
Internet - A polícia encontrou em disquetes de Porto algumas mensagens de sites sadomasoquistas, obtidas na Internet. A polícia encontrou fotografias de E. nua e com coleira em um endereço eletrônico, mas até hoje à tarde não tinha informações sobre a autoria da divulgação. Em uma correspondência eletrônica que supostamente pertenceria a Porto, está escrito: "Não gosto de fazer minha escrava sofrer dores fortes ou brutais, mas gosto de obediência e que minha serva preste serviços e realize tarefas."
Durante sua entrevista, o assessor do Senado mostrou conhecimento detalhado dos objetos utilizados pelos sadomasoquistas que, segundo ele, teriam sido comprados pela empregada. "Sadomasoquismo é um fetiche que milhões de pessoas têm", afirmou Porto.
Porto acredita que o ciúme da empregada tenha aumentado quando resolveu comprar um novo uniforme para ela, nesta semana, para receber um amigo. "Eu tinha vergonha de namorá-la", afirmou o assessor, "por questão de diferença social". Além do uniforme, Porto disse que E., na terça-feira, começou a reclamar que Ucilane tinha "muitos poderes" na casa. A ex-mulher de Porto morava na casa da frente e Porto em uma casa menor, nos fundos.
O assessor afirmou que dormiu na madrugada de quarta-feira, após tomar meio litro de uísque. Porto disse que acordou com a presença da polícia em sua casa. Ele não soube explicar a origem de todos os ferimentos no corpo da doméstica. "Ela destruiu a minha família", disse Porto.
Crimes - Porto vai ser enquadrado por atentado violento ao pudor, porte ilegal de armas e por crime de redução de pessoa à condição análoga de escravo. Ele admitiu ser o dono do revólver 32 apreendido em sua casa, justificando que a arma é "relíquia de família".
Vítima - E. voltou a confirmar hoje as denúncias contra o assessor. A Delegacia da Mulher recebeu telefonema de outra suposta vítima, que estaria disposta a depor contra Porto.

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