São Paulo - O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, disse ontem, durante avaliação do ano de 2003, que o governo terminou o ano com 36.300 famílias assentadas. O número, embora superior aos 30 mil assentamentos previstos pelo Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), é bem inferior aos 60 mil prometidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio.
Apesar disso, Hackbart considera que 2003 foi um ano positivo e disse que 2004 será ''o ano da reforma agrária''. Segundo informações do Incra, o órgão conta com terras suficientes para assentar mais 90,3 mil famílias. Seriam 1,29 mil imóveis em processo de desapropriação com 2,29 milhões de hectares.
O Incra informou que já no primeiro semestre deste ano a expectativa é de que mais de 47 mil famílias deverão ser assentadas. Hackbart disse também que, em 2003, foram retomados 5.980 lotes irregulares, num total de 257,7 mil hectares. Ele também anunciou que o governo já autorizou o Incra a contratar mais 366 técnicos de nível superior.
Os mesmos dados divulgados pelo Incra dão conta de que a autarquia não gastou, em 2003, todo o dinheiro disponibilizado pelo Orçamento. Do total de R$ 1,48 bilhão disponível, foram gastos R$ 1,24 bi, o equivalente a 83,67% do total.
Do dinheiro disponível para a aquisição de terras, o Incra gastou R$ 408 milhões dos R$ 462 milhões disponíveis 88,39% dos recursos. Procurado pela reportagem para explicar o motivo pelo qual os recursos não foram gastos, o Ministério do Desenvolvimento Agrário não se pronunciou.
Em entrevista publicada no site do Incra, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, menciona números diferentes dos divulgados por Hackbart. Seriam, de acordo com o site, 42 mil novas famílias com acesso à terra.

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