Assentamento em área da Embrapa volta à discussão
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segunda-feira, 05 de abril de 2004
Andréa LombardoEquipe da Folha 
Curitiba- Quase um ano depois da ocupação da fazenda modelo da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), em Ponta Grossa, por cerca de 150 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a proposta de criar um assentamento naquela área ainda não saiu do papel. Técnicos da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná e da Embrapa voltaram a discutir o assunto, na manhã de ontem, e a promessa é de que o processo de implantação do assentamento seja agora acelerado.
De acordo com o coordenador do projeto junto ao Departamento de Desenvolvimento Agropecuário (Deagro) da Secretaria de Estado da Agricultura, Luiz Carlos Lopes, o modelo do assentamento está definido e será apresentado ao MST e ao conselho de administração da Embrapa, em Brasília. Ele não adiantou detalhes da proposta.
O superintendente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, afirmou que a tendência é de que a proposta seja de criação de uma estação agroecológica, que sirva de objeto de pesquisas pela Embrapa e pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Funcionaria como uma unidade de geração e transferência de tecnologia, tendo os produtores rurais sem-terra como treinandos. No entanto, a proposta será negociada com os trabalhadores rurais sem-terra que estão acampados na fazenda. Ele destacou que não há como criar um assentamento convencional para 150 famílias em 500 hectares de terra. Essa área está cedida em comodato ao Iapar e está sendo negociada com a Embrapa para o assentamento.
Um dos coordenadores do MST no acampamento da fazenda da Embrapa, Marcelo Ishimaru, disse que os sem-terra não desistiram da proposta inicial de conseguir 1,5 mil hectares (ha) do total de 3,9 mil ha, aproximadamente, para a reforma agrária. A afirmação, no entanto, não é uma recusa ao modelo alternativo de assentamento, até porque os sem-terra ainda não foram, oficialmente, informados da proposta.
Segundo Ishimaru, 110 famílias estão na fazenda desde meados de agosto do ano passado (depois de uma trégua ao governo de mais de 60 dias) e estão plantando milho e feijão, mas ainda com algumas dificuldades. O líder sem-terra alega que, apesar de ter espaço para produzir, eles não conseguem implementos agrícolas para poder preparar o solo para o cultivo orgânico (sem uso de agrotóxicos).


