Assentamento é alvo de novas denúncias
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sexta-feira, 01 de agosto de 2003
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Bela Vista do Paraíso - Após as denúncias de irregularidades no assentamento Iraci Salete, em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina) se tornarem públicas com a expulsão de um sindicalista detentor de um dos lotes, o clima de tensão formado pelo racha na comunidade acirrou-se. Famílias temem que novas expulsões ocorram e relatam terem sido ameaçadas de morte.
Uma assentada, que pediu para ter seu nome preservado por temer represálias, afirma que há uma lista de nomes de assentados que seriam expulsos. ''De começo, são dez famílias e eles estão dizendo que vão tirar todo mundo junto em um caminhão só'', conta.
O racha na comunidade teria começado, segundo a fonte, a partir de 1999, quando aconteceram inúmeras transferências de famílias e a direção do assentamento, formada tradicionalmente por representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi modificada. ''Até lá a gente vivia bem'', disse.
Um parente da assentada, que não concordou com as mudanças, foi ameaçado de morte e deixou o assentamento. Segundo ela, ele negociou a saída com o novo proprietário e recebeu um carro no valor de R$ 6 mil. O novo proprietário continua na área, segundo ela.
A comercialização de quatro lotes no ano passado foi confirmada pela direção do assentamento em entrevista concedida à Folha na semana passada, mas foi atribuída, entretanto, à participação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Armando Nascimento.
O sindicalista foi expulso da área sob a acusação de participar da comercialização e por ocupação irregular. Nascimento tem residência na cidade, recebe dividendos como presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e não residia no lote, contrariando as exigências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
O ex-assentado, Odilon Tavares de Campos, 47 anos, foi um dos quatro assentados que tentaram comercializar a área. Ele afirma, contudo, que a direção do assentamento, da qual o sindicalista não fazia parte, tinha conhecimento das transações. Tavares saiu do lote há um ano e tinha combinado a transferência com o novo proprietário. Mas antes de receber, a operação foi abortada pela direção do movimento e o ocupante um gerente comercial foi expulso.
Segundo ele, o esquema de cobrança dos lotes de 5,8 alqueires baseava-se em laudo elaborado pelo Incra após as famílias desistirem formalmente da área. Após a desistência, o órgão faz um levantamento das benfeitorias para abater na dívida do novo assentado. ''Como não deu tempo do Incra fazer o laudo e o rapaz foi expulso, não fechei negócio'', conta Tavares. Ele afirma que, com a aprovação da comunidade, o Incra acabava por aceitar os novos proprietários.
Tavares era um dos remanescentes da primeira leva de assentados do Iraci Salete. Hoje, mais da metade é de novos moradores. Ele desistiu da área depois desenvolver um tipo de hanseníase, que o impossibilita de tomar sol, e de se desentender com as lideranças. A situação piorou pouco antes de sua saída da área, quando ele registrou queixa contra um dos líderes por porte de armas.
Ele também critica a postura do Incra. ''O povo (direção) lá faz o que quer.''


