O segurança Pedro Dinarte da Anunciação, 57 anos, que trabalhava na Fazenda Santa Inês, no município de Sulina, Sudoeste do Paraná, foi morto a tiros na madrugada de domingo. Segundo informação da polícia, o crime ocorreu durante tentativa de invasão da área por quatro integrantes do Movimento dos Tralhadores Rurais Sem Terra (MST). O irmão da vítima, Amado da Anunciação, que também guardava a fazenda, levou um tiro na perna.
Segundo depoimento de Anunciação, os quatro homens que tentaram invadir o local - possivelmente para roubar gado - estavam armados. O tiro que matou Pedro da Anunciação partiu de um revólver calibre 38, de acordo com as primeiras informações da polícia. Os seguranças da fazenda revidaram os tiros. O assentado Sebastião Lourenço do Nascimento, 33 anos, foi ferido no abdômen.
Pedro e Amado da Anunciação faziam a segurança da área, de propriedade de Florentino Iope, da casa onde os dois moravam, construída a dez quilômetros da sede da fazenda. Segundo informações da polícia, os integrantes do assentamento Marcos Freire, em Rio Bonito do Iguaçu - apresentaram-se aos seguranças como policiais.
Como os seguranças não permitiram a entrada do grupo na fazenda, desconfiados de que não eram policiais, os assentados teriam arrombado a porta da casa e atirado. Os três assentados saíram ilesos do tiroteio e abandonaram no local Sebastião do Nascimento.
De acordo com o coordenador estadual do MST, Édson Marcos Bagnara, os acusados pelo crime fazem parte de um grupo dissidente do movimento e que foram colocados no assentamento por influências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Francisco Beltrão e de políticos da região. ‘‘Esse grupo já é famoso na região pela prática de assaltos. O governo colocou eles lá dentro numa tentativa de destabilizar o movimento, mas eles não têm a menor ligação conosco’’, afirma Bagnara.
O coodenador estadual destaca que no assentamento moram cerca de 500 famílias ligadas ao MST. Já o grupo dissidente é formado por cerca de 50 famílias. De acordo com ele, já foram feitas várias denúncias quanto às atitudes desse grupo, mas até o momento nenhuma medida foi tomada para tirá-los do local. ‘‘O governo está tentando ligar o movimento a esse tipo de atitude, como já fez com a questão do desmatamento na semana passada. Todos sabem que o MST representa uma ameaça para o governo’’, diz Bagnara.
De acordo com a polícia, Sebastião do Nascimento era temido no assentamento e já esteve preso em Curitiba. Ele responde a dez processos criminais e três inquéritos policiais. (Com agências)

mockup