Assentados retêm máquinas em estrada inacabada
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quinta-feira, 24 de julho de 2003
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Famílias assentadas em São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio) impediram ontem a retirada de máquinas que estavam paradas há cerca de 90 dias em uma estrada de acesso aos assentamentos. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) teme que as obras de adequação do local sejam definitivamente abandonadas, caso a empresa responsável consiga retirar o maquinário.
José Rodrigues da Silva, presidente da associação do Projeto de Assentamento Amélia, um dos oito da região, afirma que foram destinados R$ 360 mil para a obra. Segundo ele, desde que os trabalhos foram iniciados, há mais de um ano, pouco foi feito. ''Ontem, a construtora licitada para fazer as obras informou que iria retirar as máquinas porque não houve acordo com a prefeitura para dar continuidade'', contou.
O superintendente adjunto do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, Carlos Almeida, garantiu que os recursos foram repassados para a prefeitura de São Jerônimo da Serra, em convênio assinado há um ano. ''A prefeitura pediu um aditivo de prazo para executar a obra, e nós concedemos'', declarou. A reportagem da Folha tentou vários contatos com a prefeita Maria Luiza Copla e secretários, mas não obteve resposta.
A obra incluiria a colocação de cascalho nas estradas que ligam os assentamentos à escola mais próxima. Nas condições atuais, explica Silva, o transporte não consegue chegar até os assentamentos, dificultando o acesso das crianças às aulas. ''Elas andam até dez quilômetros a pé para ir à escola. Na volta, chegam quase às dez da noite. Com um pouquinho de chuva, o ônibus não chega nem perto'', relatou. Os assentamentos da região foram montados há cerca de seis anos e abrigam aproximadamente 220 famílias.


