Assentados ligados à missionária são ameaçados
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quarta-feira, 20 de abril de 2005
Agência Estado 
Belém- Apesar da presença do Exército na região de Anapu, no Pará, as famílias de agricultores dos assentamentos do Programa de Desenvolvimento Sustentado vêm sendo ameaçadas por fazendeiros, madeireiros e grileiros. Uma rádio clandestina critica o Exército e ataca o trabalho que vinha sendo feito pela missionária Dorothy Stang, assassinada por pistoleiros em 12 de fevereiro.
A denúncia foi levada ontem ao chefe da Procuradoria da República no Pará, Ubiratan Cazetta, pelo coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Anapu, padre José Amaro Lopes de Souza, e duas entidades de trabalhadores do município. Cazetta mandou apurar o caso.
A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Pará, Mary Cohen, que esteve esta semana em Anapu, confirmou que nem a presença do Exército tem evitado as constantes ameaças, algumas delas públicas, aos agricultores ligados à irmã Dorothy. ''O medo está estampado na face das pessoas. Elas vivem trancadas dentro de suas casas, temendo sair às ruas.''
Mary Cohen conta que fazendeiros, madeireiros e grileiros de terras voltaram a frequentar os assentamentos do Programa de Desenvolvimento Sustentado que eram coordenados pela freira, dizendo que as famílias terão de sair do local.
Até uma emissora de rádio clandestina, financiada por empresários da região, divulga diariamente mensagens contra irmã Dorothy, afirmando que ela representava o atraso da região, enquanto madeireiros e fazendeiros simbolizam o desenvolvimento econômico e a geração de empregos.


