Cerca de 120 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra invadiram ontem a Prefeitura Municipal de São Jerônimo da Serra (78 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio) reivindicando assistência médica e escolar para os moradores do Assentamento dom Hélder Câmara, no distrito Terra Nova, a 18 quilômetros da cidade.
Segundo um dos representantes do movimento, Márcio Leandro, há cerca de um ano eles estão no local, que é uma fazenda desapropriada pelo Incra, e a prefeitura não os reconhece como assentados. ‘‘Já formamos cinco comissões para conversar e nunca fomos atendidos na prefeitura. Tentamos expôr a nossa situação na Câmara e não permitiram que falássemos’’, alegou.
As principais reivindicações são a liberação de fichas de consultas médicas para os assentados, viabilização de transporte para as consultas e contratação de professores para atender 106 crianças de primeira à quarta série. No total, há 564 pessoas no assentamento. ‘‘Não é necessário ‘construir’ uma escola, pois já temos estrutura para isso. O importante é regularizar o ensino e contratar professores’’, afirma Leandro.
Segundo o chefe de gabinete da Prefeitura, Edison Coppla, ele e mais seis funcionários ficaram ‘reféns’ dos sem-terra por cerca de duas horas, até que fosse elaborado um documento apresentando as reivindicações do grupo.
Coppla disse que a prefeitura atende regularmente, nas áreas de saúde e educação, outros sete assentamentos do município, totalizando cerca de mil pessoas, mas que não é responsável pelo Assentamento dom Hélder por este conter pessoas de outros municípios do Paraná. ‘‘Quando o Incra desapropriou a área, ele ficou encarregado de regularizar essa situação e viabilizar recursos para melhorias no assentamento, e isso não foi cumprido. Somos a favor da reforma agrária séria, sem palhaçada e já fomos mais de 30 vezes até Curitiba para tentar resolver esse problema’’, ressaltou.
Coppla informou que foi agendada para hoje, às 9 horas, na prefeitura, uma reunião com um representante do Incra para tratar sobre a questão do assentamento. O superintendente estadual do Incra, José Carlos de Araújo Vieira, disse que devido ao horário que foi informado sobre a reunião, o representante do Incra só poderá comparecer após o horário de almoço. Vieira também disse que o Incra ainda está em débito com compromissos firmados no município, mas que depende da liberação de novas áreas para saná-los.

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