Presidente Epitácio, SP, 20 (AE) - Cerca de 200 assentados do Projeto Lagoa São Paulo, construído pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) para atender a posseiros remanejados com a formação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, no Rio Paraná, bloquearam na manhã de hoje dois escritórios da empresa, em Presidente Epitácio, Oeste de São Paulo, impedindo a movimentação de veículos e forçando a paralisação de obras que são realizadas ao longo do lago artificial. A Cesp informou que pretendia recorrer à Justiça.
A decisão de bloquear os escritórios foi adotada para forçar a empresa a cumprir acordo celebrado para a execução de obras de infra-estrutura no assentamento e a liberação de R$ 10 mil para a construção de moradias. Segundo a líder dos manifestantes, Maria Aparecida do Amaral Alves, o assentamento, efetivado em 1980, era composto de 517 famílias, das quais 211 venderam os lotes. Para atender às 306 que permanecem, a empresa exige que os que compraram áreas desistam do benefício.
O gerente do Departamento de Meio Ambiente da Cesp em Presidente Epitácio, Mílton Estrela, disse que, além de exigir a desistência dos que compraram lotes de ex-posseiros, originariamente assentados, a Cesp quer que a Câmara de Presidente Epitácio aprove projeto autorizando a prefeitura a receber o loteamento.
Segundo ele, desde 1986, a empresa celebrou acordo com o prefeito da época e o ex-presidente da Câmara, transferindo ao município R$ 522 mil em equipamentos, para repassar o controle do assentamento. Ocorre que o acordo não foi referendado pela Câmara, o que, segundo os assentados, mantém a Cesp como responsável direta pelo projeto.

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