Belém, 11 (AE) - O agricultor Francisco da Cruz Souza, de 27 anos, morreu hoje em frente à sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Tucuruí, no sudeste do Pará, onde 72 famílias dos assentamentos Tuerê I e II, em Novo Repartimento, a 200 quilômetros de distância, estão acampadas exigindo créditos para habitação, alimentação e plantio.
Souza morreu de malária, hepatite e picada de cobra. Ele já estava doente há vários dias, mas mesmo assim resolveu acompanhar a caravana até Tucuruí. Seu corpo está sendo velado no local. O enterro deve ser realizado hoje pela manhã. No início da noite, em protesto, as famílias ameaçavam invadir e ocupar a sede do Incra. Elas alegam que estão sem os benefícios da reforma agrária há mais de dois anos e a situação é cada vez pior.
As famílias acampadas são sobreviventes do conflitos de Eldorado dos Carajás, em 1996, quando 19 trabalhadores rurais foram mortos pela Polícia Militar paraense. Em nota distribuída pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), ele diz que o Tuerê é uma área onde impera o descaso, o abandono e falta de condições para assentar famílias que lutam pela reforma agrária.
"O assentamento é uma área de calamidade pública, sem estradas, assistência médica e onde a violência impera, com mortes de trabalhadores que não são divulgadas nos jornais", diz a nota. O MST culpa o Incra e o governo estadua: "eles empurram os trabalhadores para morrerem bem longe dos olhos da opinião pública".

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