Assembléia venezuelana rejeita proposta de Chavez para mudança de nome do país
Caracas, 20 (AE-AP) - A Assembléia Constitucional venezuelana rejeitou a proposta do presidente Hugo Chavez de mudar o nome do país homenageando o herói da independência da América Latina, Simão Bolívar.
Chavez, que assim como muitos venezuelanos, idolatra Bolivar, queria mudar o nome do país para República Bolivariana da Venezuela. Mas a Assembléia Constituinte, que está redigindo uma nova constituição para o país e é controlada por aliados seus, rejeitou a proposta ontem, argumentando que custaria muito caro mudar passaportes, a moeda e documentos oficiais. Entre os que votaram contra a mudança, estava o irmão de Chavez, Adan, professor universitário.
Bolívar, que nasceu numa família rica de Caracas em 1783
é uma figura muito importante na Venezuela e em outros países da América Latina. Ele libertou a Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia - país cujo nome é em sua homenagem - do domínio espanhol. Seu plano de unir a América do Sul não teve êxito, e ele morreu pobre e odiado, em 1830. Desde então, a reputação do herói libertador, foi reabilitada.
Os 131 membros da assembléia também votaram ontem a manutenção do espanhol como língua oficial do país, mas aprovaram o uso oficial de línguas indígenas entre os 500.000 índios venezuelanos. Os parlamentares também aprovaram um preâmbulo que sustenta princípios democráticos.
A assembléia, que foi eleita em julho, tem até fevereiro para terminar a redação da nova constituição e então submetê-la a um referendo nacional. No entanto, Chavez pediu a aceleração nos trabalhos para que a nova constituição seja referendada até dezembro.
A assembléia, que começou a debater a constituição proposta na segunda-feira, decidiu encontrar-se sete dias por semana, e almoçar na mesa de trabalho para evitar desperdício de tempo.
Chavez e seus aliados argumentam que uma nova constituição é necessária para ajudar a erradicar a extensa corrupção e diminuir a pobreza na nação, rica em petróleo. Seus detratores dizem que a constituição atual, de 1961, é fundamentalmente eficiente e que a nova assembléia está impondo uma nova constituição ao acaso . Eles também alertam que o ex-líder golpista pode usar o novo documento para tentar concentrar poderes nas mãos.





