Rio, 28 (AE) - Pelo cronograma de privatização inicial elaborado para a venda de Furnas, a assembléia geral de acionistas para a divisão da empresa em três deveria ter ocorrido no dia 30 de março. A reunião já foi adiada duas vezes: a primeira para que fosse estudada com mais detalhes a questão do passivo. Marcada para o dia 27 deste mês, foi novamente postergarda porque a Eletrobrás publicara um fato relevante, em vez de um edital de convocação para a assembléia.
Inicialmente, o governo concordara em reconhecer a dívida atuarial da Fundação Real Grandeza, que equivale a 110% de seu patrimônio e é mais de 40% superior ao endividamento total de Furnas, estimado em R$ 900 milhões. Há três semanas, técnicos do BNDES consideraram o valor do passivo alto demais, anunciaram a contratação de uma auditoria para investigar as contas e decidiram apenas provisionar recursos para seu pagamento.
A mudança de critérios abriu uma crise no próprio governo acerca do processo de privatização e o presidente de Furnas na época, Luís Laércio Simões, pediu demissão por não concordar com a alteração. Na carta que enviou ao ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, Simões deixou claro que "não havia convergência" na equipe que discutia o processo de privatização. Furnas será dividida em duas empresas geradoras de energia, que serão levadas a leilão, e uma de transmissão, que permancerá com o governo.
Na remanescente estatal serão alocados a maioria dos funcionários que estão perto de se aposentar e 90% da dívida de R$ 1,204 bilhão do fundo de pensão. Ainda não está decidido se o edital de privatização das geradoras trará expressamente o compromisso de manter o patrocínio do fundo, mas o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, garante que elas terão de honrar a dívida sem pedir revisão das tarifas de energia elétrica para saldá-la.
A Eletrobrás propõe pagar, com recursos próprios, a parte que couber à empresa de transmissão, com amortizações anuais pelo prazo de 20 anos. Em greve desde terça-feira, os 4.800 funcionários de Furnas mantêm em operação apenas os serviços essenciais para a manutenção das 41 subestações e 11 usinas de geração da companhia.

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