São Paulo, 23 (AE) - As denúncias de corrupção nas administrações regionais de São Paulo poderão ser investigadas também pela Assembléia Legislativa. "Já estamos no caso", garantiu o deputado estadual Afanásio Jazadji (PFL), presidente da CPI do Crime Organizado. Ele se reuniu hoje com o promotor público José Carlos Blat, que comanda as investigações, para traçar planos de ação conjunta.
Para Jazadji, o vereador e deputado estadual eleito Hanna Garib (PPB), citado nas denúncias, poderá ser alvo de um processo de cassação na Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia, caso se comprove seu envolvimento no esquema de corrupção. "O que não queremos é que um bandido, um mafioso, um achacador de velhos e ceguinhos tome assento na Assembléia e tenha tratamento de excelência", argumentou.
Para o deputado Elói Pietá (PT), relator da CPI, o fato de Garib ser deputado estadual eleito é um motivo a mais para o Legislativo estadual entrar nas investigações. "A Assembléia não pode ficar alheia ao que ocorre em termos de acusação contra qualquer um de seus deputados", afirmou.
Jazadji explicou que poderá usar o poder que a presidência da CPI lhe confere e pedir a quebra de sigilo bancário e telefônico das pessoas envolvidas nas denúncias. "Estamos preocupados não só com Garib, mas também com funcionários públicos e vereadores, até os que foram eleitos deputados federais, como Nelo Rodolfo (PPB), que mantém uma banca de negócios na regional de Santana, e José Índio (PPB), que fez a mesma coisa na Mooca", disse. Ele argumentou que, se houver evidências de envolvimento dos dois, pedirá providências à Câmara dos Deputados.
Nega - Rodolfo e Índio negam as acusações de Jazadji. "Esse deputado é um caluniador, que não se conforma com minha projeção, enquanto ele não passa de um deputado inexpressivo", alega Rodolfo. "Isso é ciúmes de homem, o pior tipo que há."
"Até hoje nunca tive problemas com o administrador regional indicado por mim, que ficou seis anos no cargo", argumenta José Índio. "Não temos nenhum processo contra nós, ao contrário dele, que tem 15, mas não abre mão da imunidade parlamentar", afirmou.
O vereador Hanna Garib não compareceu ontem à sessão na Câmara Municipal e nem foi encontrado para comentar as acusações.
Recriação - A CPI do Crime Organizado deve ser extinta no dia 14 de março, com o término da atual legislatura. Mas ela poderá ser recriada para continuar as investigações a respeito das regionais e de outras questões ainda não concluídas. "As CPIs da Assembléia têm mais poder de investigação e prerrogativas que as CPIs da Câmara Municipal", argumentou Elói Pietá.
Para o promotor José Carlos Blat, a ajuda da Assembléia Legislativa nas investigações é bem-vinda. Para o promotor, a Assembléia pode com isso estar fazendo o trabalho que a Câmara Municipal se recusa a fazer, "para a vergonha da Câmara".

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