Assembléia Legislativa de SP quer "adotar" CPI dos Fiscais
São Paulo, 24 (AE) - A Assembléia Legislativa de São Paulo parece mesmo convencida a "adotar" a CPI dos Fiscais da Câmara Municipal. O deputado estadual Elói Pietá (PT) já conseguiu as 32 assinaturas necessárias para requerer a instalação da CPI na Assembléia Legislativa de São Paulo.
"Se o prefeito Celso Pitta e o Paulo Maulf estão querendo segurar as investigações na Câmara, vamos insistir na CPI da Assembléia porque aqui o terreno é mais fértil, aqui eles não têm maioria", afirmou Pietá, que irá protocolar amanhã o requerimento para abertura da CPI, antes a reunião dos líderes.
Inconformados com a não prorrogação do prazo da CPI na Câmara Municipal, os deputados estaduais articularam-se para continuar apurando o escândalo das propinas nas Administrações Regionais de São Paulo na Assembléia Legislativa, sob o enfoque de "crime organizado".
"A sociedade está frustada com o término abrupto das investigações na CPI da Câmara", disse o presidente da Casa, deputado Vanderlei Macris (PSDB). Ele garantiu que o assunto será discutido amanhã na reunião do colégio de líderes da Casa. Para ele, o apelo popular do assunto pode acelerar o trâmite do processo na Assembléia. Para aprovar a instalação da CPI em plenário, são necesários 48 votos dos parlamentares estaduais. "Vamos prosseguir e aprofundar as investigações", disse Pietá, que garantiu que o PT continuará lutando para prorrogar a CPI na Câmara.
A intenção do petista é prosseguir na apuração com o que chama de "provas emprestadas". "A CPI não vai chover no molhado. Vamos continuar a partir do que já foi apurado pela CPI da Câmara", lembrou Pietá. O líder do PT garantiu ainda que Maluf e Pitta terão de prestar esclarecimentos à CPI da Assembléia. "Aqui o terreno para investigar é mais fértil e o governo não tem maioria, como no legislativo municipal".
A "adoção" da CPI dos fiscais conta com o apoio da bancada governista na Assembléia. O deputado Walter Feldman (PSDB) conversou com Elói Pietá na sexta-feira e garantiu que os tucanos lutarão pela instalação da CPI na Assembléia. O deputado Rodolfo Costa e Silva (PSDB), que assinou requerimento de Pietá, foi escolhido pela bancada tucana para articular a "transferência" da CPI dos Fiscais da Câmara Municipal para a Assembléia. "Acho que teremos apoio total à CPI aqui no legislativo estadual", previu Costa e Silva.
O PMDB só deverá se manisfestar sobre o assunto amanhã. Mas a idéia de "adotar" a CPI municipal enfrenta resistência do PTB e do PPB. Para o líder do PTB, deputado Campos Machado, a proposta de Pietá é "demagógica". "Não tem fundamento", garantiu Machado. O líder do PPB, deputado Aldo Demarchi, também não quer a CPI dos fiscais na Assembléia. "Não sou contra a CPI do crime organizado, sou contra o enfoque específico sobre o que já vem sendo investigado na Câmara", afirmou Demarchi. Para ele
a Polícia e o Ministério Público é que devem prosseguir com as investigações.





