Díli, 18 (AE-AP) -A comissão parlamentar indonésia encarregada de analisar a questão de Timor Leste, a ex-colônia portuguesa anexada pelo país em 1976, recomendou hoje (18) que o plenário da Assembléia Consultiva do Povo (MPR) ratifique o resultado do referendo pelo qual os timorenses optaram pela independência, no dia 30 de agosto.
O decreto que incorporou o território à Indonésia só pode ser anulado por votação unânime, o que se tornou viável porque hoje todas os 11 grupos políticos representados na MPR endossram a resolução do comitê e comprometeram-se a aprovar a separação.
Durante o debate na comissão, alguns parlamentares exigiram que Portugal renuncie a pretensões sobre à soberania em sua ex-colônia a fim de permitir que a ONU assuma provisoriamente a administração do território.
A anulação do decreto será votada depois de amanhã, mesmo dia em que a MPR elegerá o novo presidente do país.
Já o líder timorense Xanana Gusmão afirmou hoje que pelo menos 65 pessoas foram massacradas por milícias e tropas indonésias em um acampamento em Oekussi, no noroeste de Timor Leste, perto da fronteira com Timor Oeste - a parte ocidental e indonésia da Ilha de Timor.
Ele disse que os corpos e as casas das vítimas foram queimados e pediu que a Força Internacional da ONU para Timor Leste (Interfet) vá à região averiguar os fatos.
Gusmão iria regressar a Timor Leste no fim da semana, depois de a MPR ratificar a independência do território, mas hoje avisou que adiará a volta porque a Indonésia ainda não concedeu vistos para outros dirigentes independentistas.

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