Jacarta, 01 (AE-AP) - A Assembléia Consultiva Popular da Indonésia deu início hoje (01) à sua primeira sessão democrática em cerca de 40 anos, tendo como principais itens de pauta a escolha do novo presidente do país e a ratificação da independência de Timor Leste.
"Esperamos ter o nome do novo presidente do país por volta do dia 28 de outubro", disse Marzuki Darusman, membro do Partido Golkar (governista).
O novo Parlamento foi eleito democraticamente em 7 de junho, quando, após 44 anos de domínio, o Partido Golkar, do ex-ditador Suharto, sofreu a sua primeira derrota. A casa legislativa é formada por 462 legisladores eleitos, 38 representantes do poderoso setor militar indonésio e 200 representantes indicados por províncias e grupos com interesses especiais.
Sob proteção de milhares de policiais que cercaram o prédio e ocuparam vários locais estratégicos de Jacarta, os 700 membros do Parlamento prestaram juramento. A rigidez das medidas de segurança deveu-se aos violentos confrontos entre estudantes e a Polícia, ocorridos desde a semana passada e no qual oito pessoas morreram.
No momento em que o presidente B.J. Habibie entrou na câmara para o juramento, houve um momento de tensão: a maioria dos novos deputados rompeu uma tradição e se recusou a recebê-lo de pé. Alguns cumprimentaram-no com comedimento, enquanto que outros aplaudiram ou vaiaram.
A principal favorita à sucessão de Habibie é a popular líder de oposição Megawati Sukarnoputri, filha do fundador da Indonésia, Sukarno. Seu partido, o Partido Democrático para a Luta, foi o mais votado nas eleições, mas não atingiu a maioria absoluta.
Tanto Sukarnoputri como o Partido Golkar propuseram ao chefe das Forças Armadas, general Wiranto, que aceite ser o vice-presidente. Wiranto tem se mostrado reticente.
A Indonésia despertou condenação internacional por causa do derramamento de sangue que se seguiu à vitória esmagadora da independência no referendo sobre o futuro de Timor Leste - que deverá ser ratificado pela nova Assembléia. A Polícia e o Exército são acusados de ajudar as milícias leais a Jacarta a realizar uma campanha de terror que matou milhares de civis.

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