São Luís, 01 (AE) - O deputado estadual Francisco Caíca (PSD) deverá ter o seu mandato cassado amanhã (02) pela Assembléia Legislativa (AL) do Maranhão. Caíca é acusado de quebra de decoro parlamentar por envolvimento em assassinatos e roubo de cargas e carretas. Caíca admitiu, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, ter levado o pistoleiro Francisco Rirmualdo para assassinar o cobrador Carlindo Souza Cunha, por ordem do ex-deputado José Gerardo de Abreu (sem partido). Caíca disse ainda que ficou sabendo antecipadamente da trama que assassinou o agente Jorge Menezes e o delegado Stênio Mendonça.
O deputado pode perder o mandato também porque possui três números de CPF. Os argumentos apresentados pelos advogados de defesa de Caíca não convenceram os membros da Comissão de Ética da AL. "Decoro parlamentar é questão de honestidade e seriedade", afirmou o deputado estadual Joaquim Haickel (PTB), membro da Comissão de Ética. Segundo ele, Caíca não tem respaldo moral para exercer o mandato. "Vamos extirpar o segundo câncer da Assembléia", argumentou Haickel.
A cassação de Gerardo foi aprovada por 40 dos 42 deputados da AL. Só não votaram o próprio Gerardo e Caíca, que estava de licença médica. A vaga de Gerardo foi ocupada por Oséas Rodrigues. "A votação agora será de 41 votos a zero", garante Haickel.
O gerente de Justiça e Segurança Pública, delegado Raimundo Cutrim, diz que Caíca poderá receber voz de prisão logo após a cassação. "Até o momento não existe mandado judicial, mas é quase certa a prisão após a cassação." Antes mesmo de ser cassado, Gerardo driblou a polícia e esteve foragido até a semana passada. A segurança na casa de Caíca foi reforçada para evitar fuga. "Esse não tem como escapar", garantiu o delegado.
Na terça-feira o prefeito William Amorim, de Nova Olinda, admitiu em depoimento à CPI ter transferido recursos da prefeitura para sua conta. Segundo o deputado estadual Aderson Lago (PSB), em setembro deste ano Amorim transferiu R$ 132 mil do Fundo de Participação para sua conta bancária. O prefeito é acusado também de receber cargas roubadas pelo pistoleiro Humberto Gomes de Oliveira, o Bel, um dos responsáveis pelo assassinato do ex-delegado Stênio Mendonça.
William Amorim tem 72 horas para apresentar o seu extrato bancário dos últimos 12 meses. Caso contrário, terá o seu sigilo bancário quebrado por autorização da CPI. Outro prefeito ouvido pela comissão foi Penaldon Moreira, do município de Presidente Sarney, também acusado de receptação de cargas roubadas.
O prefeito de Amapá do Maranhão, Aveny Pacheco, foi preso há um mês sob a acusação de envolvimento em organizações criminosas no Estado, mas já está em liberdade. O prefeito de Vitorino Freire, Juscelino Resende, com a prisão preventiva decretada há 20 dias, encontra-se foragido.

mockup