Assembléia do Maranhão começa a analisar cassação de Caíca
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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Félix Alberto Lima (especial para a AE) 
São Luís, 22 (AE) - Depois de cassar o mandato de José Gerardo de Abreu, a Assembléia Legislativa (AL) do Maranhão deu início hoje ao processo de cassação do deputado estadual Francisco Caíca (PSD), também por quebra de decoro parlamentar. Caíca tem pela frente o prazo de quatro sessões ordinárias na Assembléia para apresentar sua defesa.
O deputado é acusado de envolvimento em assassinatos e roubos de cargas e carretas no Estado. Ao contrário de Gerardo, que nega participar de organizações criminosas, Caíca é réu confesso em pelo menos um crime. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, há 20 dias, o deputado confessou a co-autoria no assassinato de Carlindo Souza Cunha, ex-funcionário de Gerardo.
Caíca admitiu possuir três números de CPF e confessou ter ficado sabendo antecipadamente dos assassinatos dos delegados Jorge Menezes e Stênio Mendonça. Por ter omitido na época informações à polícia, o parlamentar é acusado de cumplicidade nos dois crimes. Caíca interrompeu seu depoimento à CPI para receber às pressas atendimento médico.
De licença para tratamento de saúde, o deputado não sai de casa há três semanas e é vigiado de perto por equipes das Polícias Federal e Militar. "Ele ainda está muito debilitado fisicamente", disse o advogado Raimundo Dias, amigo da família. Na semana passada, Caíca não compareceu ao depoimento à CPI do Narcotráfico, em Brasília.
Na segunda-feira, 29, termina o prazo para a apresentação da defesa de Caíca à Comissão de Ética da AL. No dia seguinte, o processo de cassação será avaliado pela Comissão de Constituição e Justiça, que pode apresentá-lo para votação em plenário em 24 horas. Caíca está exercendo o segundo mandato e na AL a maioria dos deputados defende sua cassação.


