Assembléia do Maranhão cassa mandato de deputado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Félix Alberto Lima (especial para a AE) 
São Luís, 02 (AE) - A Assembléia Legislativa do Maranhão cassou hoje o mandato do deputado Francisco Caíca (PSD) por quebra de decoro parlamentar. O projeto de resolução da Comissão de Ética propondo a cassação foi aprovado por 41 dos 42 deputados da AL. Só não votou o próprio Caíca, que recebeu no início da tarde o mandado de prisão preventiva expedido pelo juiz Deusimar Freitas Carvalho, da 4ª Vara Criminal.
Em menos de 20 dias, dois deputados maranhenses perderam o mandato por suspeitas de envolvimento com o crime organizado no Estado. Há três semanas, José Gerardo de Abreu (sem partido) foi cassado por unanimidade e está preso em cela comum, no comando-geral da Polícia Militar (PM), onde aguarda julgamento.
A deputada Malrinete Gralhada (PFL), relatora da Comissão de Ética, abriu a sessão apresentando os argumentos que levaram ao pedido de cassação. Segundo ela, o envolvimento de Caíca com assassinatos e roubo de cargas e carretas contraria os interesses da Assembléia.
A defesa de Caíca foi feita pelo advogado Wady Nazar Neto, nomeado pela AL. Nazar Neto apenas leu o documento de defesa entregue no início da semana à Comissão de Ética pelo advogado Ivaldo Ricci, que não compareceu à sessão.
A situação de Caíca foi agravada no depoimento que prestou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no início de novembro, quando assumiu a co-autoria no assassinato de Carlindo Souza Cunha, ex-funcionário de Gerardo. Caíca admitiu também possuir três números de CPF e ter participado da trama que assassinou o agente Jorge Menezes e o delegado Stênio Mendonça.
"A cassação do mandato de dois deputados representa o trabalho sério que vem sendo feito pela Assembléia", disse Manuel Ribeiro, presidente da AL. A bibliotecária Marília Mendonça, viúva do delegado Stênio Mendonça, comemorou a cassação. "Só falta agora Caíca ser preso para que, junto com os outros envolvidos, seja julgado e condenado." Francisco Caíca passou o dia hoje sob custódia da Polícia Federal (PF) e deve ser transferido esta semana para o comando-geral da PM.


