Assembléia do BID começa hoje
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domingo, 26 de março de 2000
Por Avelino Alves 
São Paulo, 27 (AE) - Começou hoje de manhã a 41ª Assembléia Anual de governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O evento, que termina dia 29, acontece no Centro de Convenções Ernest Morial, em Nova Orleans (EUA). Além do presidente do BID, Enrique Iglesias, participam ministros de Economia e presidentes de bancos centrais de 46 países.
O evento abre com uma perspectiva otimista dos desafios de desenvolvimento social e de investimentos contra a pobreza que a região enfrenta. Em seu informe anual, o BID afirma que as perspectivas atuais de crescimento são favoráveis e em alguns destes países existem claros sinais de reativação. No ano passado, a instituição investiu US$ 9,5 bilhões em projetos de desenvolvimento econômico e social na América Latina e Caribe. Os empréstimos de emergência, feitos para contra-atacar os efeitos da volatilidade financeira internacional, totalizaram US$ 4,6 bi em 99, contra US$ 2,850 bi em 98.
Ao abordar os resultados macroeconômicos, o informe destaca que a América Latina teve um crescimento estimado em 0 3% no ano passado, dois pontos menos que no ano anterior e um dos mais baixos dos anos 90. Os efeitos mais perversos da crise foram sentidos pelos países da América do Sul, com queda na atividade econômica na Colômbia, Equador, Venezuela, Argentina, Paraguai e Uruguai. Ao contrário do que se temia no começo do ano passado, destaca o informe, o Brasil evitou contração do PIB e Bolívia e Peru tiveram crescimento de 2,5% e 3,5%, respectivamente. Cenário favorável - Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o economista-chefe da instituição, Ricardo Hausmann, disse que os ventos sopram a favor da América Latina que, neste ano, deve crescer 4%. Hausmann acha que o cenário internacional mudou e que agora a região sairá favorecida. "Acredito em uma tendência de recuperação dos preços dos produtos vendidos pela América Latina", diz ele, argumentando que Europa, ásia e Estados Unidos têm mostrado números animadores de crescimento. Ricardo Hausmann explica ainda que a volta de capitais para a América Latina e as colocações vitoriosas de títulos nos mercados financeiros internacionais sustentam sua teses.
O economista descarta um novo ajuste cambial no Brasil já que, com a volta dos capitais para a América Latina, o real sai fortalecido e a tendência é de queda nas taxas de juros. "Com isso o crescimento brasileiro se fortalece e empurra o crescimento argentino". Ricardo Hausmann lembra que os anos de 98 e 99 foram tensos para o Mercosul mas que no futuro Brasil e Argentina devem caminhar para a paridade, o que beneficiará os outros países do bloco. "Creio que neste cenário os conflitos internos do Mercosul serão mais manejáveis".
Para ele, o principal problema do Brasil agora é assegurar a redução de sua inflação e isso não se faz desvalorizando moeda e sim assegurando o controle das contas públicas. Sobre a Argentina, diz que o país saiu da recessão já que no terceiro trimestre do ano passado a produção se recuperou. "Não podemos nos esquecer que a Argentina sobreviveu a uma situação internacional difícil e um ano eleitoral", lembrou Ricardo Hausmann. Mercados emergentes - A América Latina está se tornando o destino preferido dos investidores em mercados emergentes, diz hoje a Lex Column do jornal britânico Financial Times. "As moedas locais estão se fortalecendo, os spreads das dívidas caíram e enquanto o índice IFC de mercados emergentes subiu apenas 1% neste ano, as ações na América Latina avançaram 8%. Desde a baixa de outubro passado, a região subiu 53%", diz o jornal.
Segundo o Financial Times, ações de empresas do setor tecnológico e Internet são os grandes responsáveis pela boa performance dos investimentos na região. "Mas com uma diferença importante. Como a América Latina possui poucas empresas puras na Internet, os investidores estão comprando grandes companhias de telecomunicações e até bancos e empresas de varejo com unidades online.
A exemplo do BID, o jornal britânico alerta que o aumento das taxas de juros nos EUA representa um risco para a região. Há também o risco de que o "supervalorizado" peso mexicano se enfraqueça com a aproximação das eleições. "Mas enquanto a economia norte-americana permanecer forte, a América Latina vai continuar aproveitando um vento de cauda", diz o jornal. Com João Caminoto, de Londres.


