São Paulo, 13 (AE) - O índice de troca de partidos entre os deputados da Assembléia paulista promete ser igual ou ainda maior que a ocorrida entre os colegas da Câmara Federal. A estimativa feita pelos parlamentares do PSDB, partido do governador Mário Covas, é de que o número de vira-casacas ultrapasse 15 deputados, porcentual que corresponde a 16% do total de cadeiras da Casa. Na Câmara, os infiéis somaram quase 10% do total de parlamentares: 43 dos 513 trocaram de sigla.
A mudança poderá ser conferida ainda esta semana. Os 94 deputados tomam posse segunda-feira e, na terça-feira, os políticos que foram chamados a participar do governo pedem licença de seus cargos. Depois, estará aberta a temporada das trocas. É possível que, três dias após a posse, as bancadas já estejam adulteradas em relação às que foram compostas com os votos das urnas. A alteração do número de deputados por bancada deve ser tão grande que nenhum parlamentar governista se arrisca
por enquanto, a apresentar números fechados sobre a composição da base que vai apoiar Covas na Assembléia. Este panorama só será possível, dizem eles, depois da debandada.
O interesse em trocar de partido não é em vão. Quanto maior a bancada, aumentam as regalias. Maior número de salas, de funcionários, de cotas de xerox, telefone, cartas e combustível. Um partido com menos de cinco membros, por exemplo, não tem direito a estrutura de liderança. Aumenta, também, o poder de barganha política com o governo do Estado. Quanto maior o partido, maior poder de negociação de seus votos. Existem ainda boatos não confirmados de que os partidos fariam altas negociações para aumentar suas bancadas.
Os três deputados eleitos pelo Prona, por exemplo, devem migrar para o PL. O benefício, neste caso, é mútuo. O Partido Liberal, que elegeu cinco parlamentares, passará a ter oito membros e já pleiteia uma secretaria na administração estadual. Os deputados do Prona, que isolados não teriam qualquer projeção
podem sonhar com alguma representatividade e maior conforto.
A bancada do PMDB é uma das mais incomodadas com a infidelidade. Não por motivos ideológicos, mas práticos. De 23 parlamentares eleitos no início da legislatura anterior, o partido foi reduzido a 14 deputados. Desta vez, conseguiu eleger apenas oito representantes. A previsão é que ainda venha a perder dois parlamentares. Perde prestígio político e espaço físico. Tinha seis salas em sua estrutura de liderança, número que pode ser reduzido pela metade.
O PFL, o PPB e o PDT também devem diminuir de tamanho. Poderão inchar o PTB. O líder deste partido, Campos Machado, promete arregimentar pelo menos três parlamentares ainda esta semana e crescer de cinco para 15 membros até o fim de março. O PL também poderá abrigar colegas do PFL. O PSDB deve ganhar um ou dois deputados. Comenta-se que o peemedebista Gilberto Nascimento e o pefelista Duarte Nogueira podem virar tucanos. Fidelidade - O PT é talvez o único partido que não admite mudança de siglas. Para o líder do partido na Casa, Elói Pietá, os parlamentares infiéis deveriam ter como punição a perda do mandato. "Não concordo com a troca de partido porque desvirtua a imagem do deputado", critica Pietá. "Ele deve permanecer no partido pelo qual se apresentou à sociedade e ganhou seus votos, deve ter fidelidade partidária, mas infelizmente a legislação não assegura isso". Composição política - Os deputados estaduais do PSDB não parecem muito preocupados com a composição de maioria em torno do governador tucano Mário Covas na Assembléia paulista. Oficialmente, Covas conta com 26 votos de seu partido e do PTB e PSD, que fizeram parte da coligação que o elegeu. Mas tem a palavra do PSB e do PPS, que prometeram fidelidade a Covas. Juntos, os dois partidos garantem mais cinco votos ao governo.
PFL e PMDB, partidos sem nenhuma vocação oposicionista, devem compor com o governo, mas, por enquanto, não declararam apoio oficial. Os dois partidos, fiéis da balança para que o governador consiga maioria na Casa, somam ao todo 18 votos (8 do PMDB e 11 do PFL), exatamente o necessário para o governo consiga ultrapassar 48 votos, número mínimo para a aprovação de projetos. Covas pode ter como aliado também o PL, que vai crescer de tamanho e deve contar com oito ou mais representantes.
Por enquanto, os três partidos tentam negociar cargos na administração estadual. Na Assembléia, é dado como certo que o secretariado de Covas é provisório e haverá mudanças depois que os parlamentares tomarem posse e as bancadas se apresentarem com seus tamanhos reais. Um dos secretários que poderá ser trocado é Marta Godinho, da pasta de Assistência e Desenvolvimento Social. Outro nome cogitado é do atual secretário de Administração Penitenciária, João Benedicto de Azevedo Marques.
Alijado da composição da Mesa Diretora da Assembléia, o PFL se diz "injustiçado", porque não obteve cargo importante na Casa e também no governo. O líder do partido, deputado Edmir Chedid, afirma que a bancada estadual sempre apoiou Covas na Assembléia, independentemente de ter apoiado Maluf nas últimas eleições. "Tínhamos um acordo parlamentar", conta. Ele diz que seu partido sempre foi "mais fiel ao governo que o próprio partido do governo".
O deputado Wanderley Macriz (PSDB) deve ser confirmado segunda-feira como presidente da Assembléia. A composição da Mesa Diretora da Casa também está acertada: a primeira secretaria vai para o deputado Roberto Gouveia, do PT. O partido tem 14 deputados e é a segunda maior bancada. A segunda secretaria, responsável pelas finanças da Casa, fica com Pascoal Thomeu, do PPB. Devem ser contemplados ainda com cargos na Mesa, o PMDB e o PL.

mockup