Assembléia decide criar CPI para invertigar narcotráfico
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Fred Ferreira e Mariana Caetano 
São Paulo, 02 (AE) - A Assembléia Legislativa de São Paulo vai criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar todas as atividades criminosas relacionadas ao narcotráfico no Estado. Além de incluir provas emprestadas da CPI de Brasília, a comissão estadual deverá atuar em conjunto com as CPI instaladas em outros Estados. Um acordo entre os líderes de todos os partidos da Casa permitiu nova redação para os inúmeros pedidos de instalação da 6ª CPI na Casa, que pretende apurar também as relações do tráfico de drogras com roubos de cargas, assassinatos, lavagem de dinheiro e todas as atividades criminosas relacionadas ao narcotráfio, assim como o envolvimento de agentes públicos e órgãos estatais.
"A CPI é da Assembléia. Ela é o resultado do consenso entre todos os partidos da Casa", disse o presidente Wanderlei Macris (PSDB). Para garantir a criação da comissão ainda neste ano e iniciar os trabalhos, o presidente convocou uma sessão extraordinária para votar o requerimento acordado hoje entre no Colégio de Líderes.
Para chegar a um acordo para instalar a CPI, a Assembléia viveu duas semanas de impasse político, em razão dos inúmeros pedidos de criação de uma comissão no âmbito do crime organizado. O PT queria uma CPI genérica para o crime organizado
o PSDB apresentou outra específica para o roubo de cargas e o PTB acertou ao solicitar uma comissão centralizada no narcotráfico. A CPI acertada hoje pelos líderes aproxima-se mais da comissão solicitada pelo deputado Campos Machado (PTB) e representa uma vitória parcial para a bancada governista. A CPI proposta pelo deputado Elói Pietá - do crime organizado - perdeu força no Legislativo nas últimas semanas por ser considerada "muito genérica" e, portanto, "ineficiente".
A oposição queria investigar o crime organizado no Estado na esperança de atingir o governo. "Eles estão com medo de onde a CPI pode alcançar", disse à época Pietá. De acordo com o líder do governo na Casa, Walter Feldman (PSDB), os líderes estudam a criação de três subcomissões dentro da CPI, distribuídas por região. A capital - toda a região metropolitana - deverá ter uma subcomissão exclusiva. "Devido à concentração populacional e de consumo, os problemas mais graves certamente estão na região metropolitana", declarou Feldman.
A disputa agora fica em torno da presidência e relatoria, mas a idéia é que os sub-relatores tenham sua base política em região que não seja área de atuação do parlamentar.


