Assembléia decide amanhã futuro de Garib; deputado apela ao "coração" dos colegas
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Fred Ferreira, especial para a AE 
São Paulo, 28 (AE) - A Assembléia Legislativa de São Paulo votará amanhã (29) à noite, em sessão extraordinária, o projeto de resolução que poderá cassar o mandato do deputado estadual Hanna Garib (suspenso do PPB). Ele precisaria de pelo menos 48 votos de seus colegas para não perder seu mandato e ter seus direitos políticos suspensos por 8 anos. Apesar da votação ser secreta, alguns parlamentares dão como certa a cassação do deputado.
O ex-vereador do PPB distribuiu, hoje à tarde, ofício aos 94 deputados estaduais solicitando que os colegas "ouçam o seu coração" na hora de votar. "Não compactue com essa injustiça, não destrua um trabalho político de 20 anos", pediu Garib aos parlamentares. No documento, o deputado suspeito de chefiar esquema de propinas na Administração Regional da Sé, afirma que confia em Deus que a justiça será feita. "Acredite, eu não faltei com o decoro e a ética; tenho minhas mãos e meu coração limpos", alega Garib.
O presidente da Assembléia, Vanderley Macris (PSDB), disse hoje que poderá convocar mais uma sessão extraordinária para concluir a votação do processo contra Garib amanhã. Estão previstas até 12 horas de discussão do projeto, mas o único que se deverá manifestar é o deputado Roque Barbieri (PTB), que acredita na falta de provas contra o ex-vereador do PPB. "Devo ser o único a ter coragem de defendê-lo publicamente", previu Barbieri. Plenário - De acordo com Macris, o deputado Garib também terá direito a meia hora para falar, além do mesmo tempo que poderá ser concedido ao advogado do parlamentar, Alberto Rollo. Da última vez que se pronunciou, na votação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Rollo vestiu beca e não poupou nem mesmo Macris. Os deputados acreditam que se ele subir na tribuna do plenário, a situação de Garib poderá piorar.
O Conselho analisou o envolvimento de Garib nas denúncias de arrecadação de propina entre ambulantes na região central e concluiu por transferir a decisão para o plenário da Casa. O relatório do deputado Elói Pietá (PT) recomenda a cassação de Garib por quebra de decoro parlamentar e acusa o ex-vereador de formação de quadrilha. O relatório foi aprovado por unanimidade no Conselho, assim como na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que foi concluído em apenas uma sessão.
Garib foi ouvido hoje pelo delegado Romeu Tuma Júnior no Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo. O depoimento estava previsto para sexta-feira, mas foi antecipado. "Se o Garib fosse ouvido na sexta, já cassado pelo plenário da Assembléia, poderia sair de lá preso porque não teria mais a imunidade parlamentar", afirmou um deputado.


