As denúncias de corrupção nas administrações regionais de São Paulo poderão ser investigadas também pela Assembléia Legislativa - a Câmara discute uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). ‘‘Já estamos no caso’’, garantiu o deputado estadual Afanásio Jazadji (PFL), presidente da CPI do Crime Organizado. Ele se reuniu ontem com o promotor público José Carlos Blat, que comanda as investigações, para traçar planos de ação conjunta.
Para Jazadji, o vereador e deputado estadual eleito Hanna Garib (PPB), citado nas denúncias, poderá ser alvo de um processo de cassação na Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia, caso se comprove seu envolvimento no esquema de corrupção.
Para o deputado Elói Pietá (PT), relator da CPI, o fato de Garib ser deputado estadual eleito é um motivo a mais para o Legislativo estadual entrar nas investigações. ‘‘A Assembléia não pode ficar alheia ao que ocorre em termos de acusação contra qualquer um de seus deputados’’, afirmou.
Jazadji explicou que poderá usar o poder que a presidência da CPI lhe confere e pedir a quebra de sigilo bancário e telefônico das pessoas envolvidas nas denúncias.
A polícia prendeu ontem o presidente da Associação dos Camelôs Independentes de São Paulo, Gilberto Monteiro da Silva. Ele é suspeito de controlar o comércio ambulante no Viaduto Santa Ifigênia, no centro. Silva foi detido no fim da tarde, na Câmara Municipal, que avalia a criação de uma CEI sobre supostos esquemas de propinas envolvendo funcionários das administrações regionais da Prefeitura.
De acordo com o delegado Romeu Tuma Júnior, que cuida das investigações do caso, a prisão temporária baseou-se nos depoimentos das 17 pessoas presas. Ele seria responsável pelo controle das bancas instaladas no viaduto e parte do dinheiro arrecadado entre os ambulantes seria repassado ao vereador Hanna Garib (PPB). ‘‘Quero saber por que ninguém mexia no viaduto’’, disse o delegado Tuma Júnior.
Ontem o delegado Tuma Júnior decretou a prisão do presidente da Associação dos Comerciantes do Brás, Wehbe Da Walibi, o Jô. No fim da tarde o advogado do comerciante Luís Flávio Borges D’Urso, compareceu à polícia. Ele informou ao delegado que seu cliente iria apresentar-se à polícia.

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