São Paulo, 01 (AE) - O plenário do Palácio 9 de Julho nunca mais será o mesmo. Ao retornarem amanhã do recesso, os 94 deputados da Assembléia Legislativa de São Paulo vão deparar-se com uma das mais significativas mudanças dos 31 anos de existência do prédio: dez grandes holofotes estão pendurados, sobre suas cabeças, no teto, o que dá ao espaço de votação ares de estúdios de televisão. "O pessoal não vai acreditar", declarou animado o presidente da Casa, Vanderlei Macris (PSDB), ao ver, pela primeira vez, os refletores com potência de mil watts cada um. "Será que não vão esquentar demais?"
O segundo semestre na Assembléia promete ser polêmico e quente. No dia 16, estréiam a TV Legislativa, o canal a cabo da Casa, razão da nova iluminação, e o Fórum São Paulo Século 21, que pretende debater o futuro do Estado. Além disso, o projeto de reforma da Previdência dos servidores, que prevê contribuição proporcional ao salário, entra em discussão a partir de amanhã e já mobiliza a oposição. Uma novidade vai aquecer a tribuna: as portas do plenário serão abertas para que representantes da sociedade e populares realizem ali, pela primeira vez, debates sobre uma proposta, conforme anunciou Macris.
"A TV é um instrumento que pode ser utilizado para o bem ou para objetivos fúteis, muitas vezes destrutivos", alertou o reitor da Universidade de São Paulo (USP), Jacques Marcovitch, depois de visita ao gabinete do presidente, em que confirmou seu apoio e participação no Fórum. "O Legislativo é um espaço privilegiado de discussão", avaliou. "Vivemos momento de grandes transformações na sociedade mundial e brasileira, e temos de sonhar o futuro a ser construído."
Presidente da Casa depois de seis mandatos, Macris apresenta neste segundo semestre as mudanças que prometera ao tomar posse. A de maior impacto visual, que deverá alimentar controvérsias, é a nova iluminação do plenário, feita a partir de refletores pouco maiores do que uma televisão de 20 polegadas
fixados a três metros do teto por cabos de aço, que destoam da arquitetura e decoração do salão. Dois estão pendurados atrás do local reservado para a Mesa Diretora, quatro ficam sobre as poltronas vermelhas dos deputados e os demais no setor aberto ao público, ao fundo. As lâmpadas possibilitarão as transmissões ao vivo dos discursos da tribuna e das votações com a qualidade de um estúdio.
Cartão de visita - Para o presidente pôr em prática seus planos foi fundamental, de acordo com colaboradores, superar um obstáculo: a cassação do deputado Hanna Garib, acusado de envolvimento com a máfia dos fiscais. Com este episódio no cartão de visita, ele vem convidando empresários como Oded Grajew, Olávo Setúbal e políticos como Luiz Inácio Lula da Silva para participarem do Fórum, que só termina em dezembro de 2000.
Para Macris, o Executivo está absorvido pelos problemas cotidianos do Estado e a Câmara Municipal abalada pela CPI dos Fiscais. A Assembléia pode ser palco de importantes discussões na virada do milênio. "Não estou no cargo para carimbar documentos", avisa ele. "A Assembléia tem de ocupar este espaço."
O primeiro-secretário da Mesa Diretora, Roberto Gouveia (PT), mostra que a oposição está animada com o calendário de atividades. "A Casa negou, com a cassação de Garib, a convivência com práticas ilícitas e corruptas", avalia ele. Os petistas estão empenhados no sucesso da TV e do Fórum, e ansiosos pelas discussões das mudanças na contribuição previdênciária do servidor e do Orçamento de 2000. "O canal de televisão vai dar maior transparência aos trabalhos e os debates do Fórum vão inspirar projetos de lei e emendas ao Orçamento", afirma Gouveia.
O Palácio 9 de Julho vive, sob a presidência de Macris, sua era da comunicação, com planos estratégicos que incluem uma agência de notícias na Internet e de uma produtora de material para as rádios.
A partir do dia 16, os holofotes estarão acesos para garantir qualidade às imagens transmitidas ao vivo e exibidas, no plenário, por cinco monitores. Devido à nova iluminação, os parlamentares deverão receber uma espécie de curso sobre as roupas e as cores mais convenientes para a transmissão. Mas o ambiente não vai aquecer por conta destes 10 mil watts (do conjunto dos refletores), como chegou a temer Macris - as lâmpadas penduradas no teto do plenário são do tipo fria.

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