Rio, 31 (AE) - O governo vai concovar para junho uma assembléia de acionistas de Furnas para aprovar a cisão da empresa em três, na preparação para a privatização. Será a terceira tentativa em três meses, num processo que ameaça não ficar concluído este ano. "Se Furnas não puder ser privatizada em novembro ou dezembro, vai ser em janeiro", comentou hoje o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, minimizando os efeitos do atraso, que podem pôr em risco as metas de captação de investimentos acertadas pelo governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
"Nossa preocupação, no caso da privatização do setor elétrico, não é com as metas do FMI", afirmou o ministro. "Estou muito mais interessado em ter um modelo que venha representar solução para o sistema elétrico brasileiro e um mês a mais ou um mês a menos não vai colocar em risco o processo."
A assembléia para separação de Furnas em uma empresa de transmissão (que permanecerá estatal) e duas geradoras (a serem vendidas) é o primeiro passo no cronograma de privatização e deveria ter sido realizada em março, segundo a agenda inicial.
A questão da dívida de R$ 1,2 bilhão da Fundação Real Grandeza, fundo de previdência privada dos servidores da estatal
que tem sido o principal entrave usado pelos funcionários - acionistas minoritários - para a realização da assembléia, não será revista pelo governo.
Pelo que demonstra o ministro, a União, acionista majoritário, deve manter a opção pelo provisionamento da dívida, e não pelo seu reconhecimento, como reivindicam os empregados, que temem que Furnas, como patrocinadora do fundo, não se responsabilize pela dívida atuarial depois da privatização.
"Tantas vezes a assembléia for suspensa, tantas vezes vamos voltar e convocar uma nova", insistiu o ministro. Ele negou, entretanto, que a estratégia do governo seja vencer pelo cansaço os opositores da privatização. "Vamos ganhar, mas pelo bom senso."

mockup