Brasília, 07 (AE) - A Assembléia Geral Extraordinária (AGE) da Tele Centro Sul (TCS) - holding que controla nove operadoras de telefonia fixa, de Pelotas (RS) ao Acre - autorizou hoje a compra de 85,19% das ações ordinárias que o consórcio Tele Brasil Sul (TBS) tem na Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). O anúncio foi feito pelo diretor Jurídico da TCS, Pedro Freitas, após a reunião dos acionistas ocorrida em Brasília. O negócio é de cerca de US$ 850 milhões.
Freitas espera que o contrato seja assinado na próxima semana para que, em seguida, o submeta aos sócios da TCS. Segundo ele, será necessário também obter a aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Este processo deve estar concluído dentro de 20 dias. "A minha mulher gostaria que fechasse isso logo. São vários meses envolvido nisso," disse o diretor da TCS.
A proposta da TCS será encaminhada na segunda-feira ao Credit Suisse First Boston Garantia, instituição financeira encarregada pelo TBS de vender as ações da operadora gaúcha. Freitas acredita que serão feitos alguns ajustes para que o contrato seja assinado, como por exemplo que os donos das ações da CRT assumam compromissos quanto à veracidade do balanço contábil da operadora referente ao ano passado.
O diretor da TCS não quis antecipar quais as exigências que vão ser apresentadas e tão pouco explicou se o pagamento pelo lote de ações será a vista ou parcelado. Segundo ele, para adquirir as ações da CRT, a holding emitirá R$ 900 milhões em commercial papers (notas promissórias). Este lançamento se dará pelos bancos Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Unibanco, Chase Manhattan e Citibank. Caso haja necessidade de fechar o negócio antes da colocação das notas, estes bancos podem antecipar os recursos através de um empréstimo ponte. A outra parte do dinheiro para a aquisição das ações da CRT virá do próprio caixa da TCS.
Em agosto de 1998, quando o TBS - Telefônica Internacional (Tisa), Iberdrola, Bilbao Vizcaya, Portugal Telecom fixa, RBS e as operadoras de telefonia da Argentina e do Chile - assinou o contrato de compra do controle da Telesp (atual Telefônica), foi estabelecido prazo de 18 meses para que o grupo vendesse a participação na CRT. Isso se deveu ao fato de que a legislação brasileira não permite que um mesmo grupo econômico controle mais de uma empresa.
O Plano Geral de Outorgas (PGO) permitia que o TBS vendesse a CRT para a TCS, Sercomtel (Londrina) ou Companhia Telefônica do Brasil Central (CTBC), do grupo mineiro Algar. No decorrer das negociações, apenas a TCS manteve o interesse de ficar com a operadora gaúcha. Porém, como não houve acordo dentro dos 18 meses estabelecidos, a Anatel fez uma intervenção branca na CRT em fevereiro deste ano e determinou que as ações ordinárias, 45 dias após o ato da agência, fossem administradas por uma instituição financeira. O TBS escolheu o Credit Suisse First Boston Garantia, a quem cabe analisar este negócio.

mockup