São Paulo, 08 (AE) - O envelhecimento do episcopado brasileiro deverá ser debatido na próxima assembléia-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que começa dia 14. O tema será proposto pelo bispo-auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, d. Angélico Sândalo Bernardino, que deseja avaliar principalmente a situação dos bispos aposentados, chamados de eméritos.
Dos 400 bispos existentes no Brasil, 102 são eméritos - o que corresponde a 25% do total. Segundo d. Angélico, é necessário abrir possibilidades para que esses bispos participem mais da vida da Igreja Católica. "Eles têm uma valiosa colaboração a oferecer", disse.
Os números indicam que o porcentual de aposentados na Igreja tende a aumentar. Além da tendência de envelhecimento da população brasileira, o estilo de governar de João Paulo II, de 78 anos, contribuiu para isso. No processo de escolha de novos bispos, ele deu preferência aos padres mais velhos. Em 1997, de acordo com levantamento realizado pela CNBB, a média de idade do episcopado era de 64 anos. Dos bispos atualmente na ativa, 17 estão na faixa dos 40 anos. Todos os outros são mais velhos.
De acordo com o Código de Direito Canônico, que regula a vida da Igreja, os bispos devem apresentar sua renúncia ao completar 75 anos. O papa pode não aceitar e pedir ao bispo para continuar no cargo, como fez com o cardeal-arcebispo do Rio, d. Eugênio de Araújo Sales, em 1995. O cardeal continua no cargo até hoje. Voto - Ao aposentar-se, os bispos deixam a direção das dioceses e perdem o direito de votar nas assembléias da CNBB. Alguns se retiram completamente das atividades pastorais. De acordo com levantamento realizado pelo Vicariato da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo, do total de 102 eméritos brasileiros, 11 voltaram para os lugares no exterior de onde saíram como missionários.
Há bispos que continuam a desempenhar atividades auxiliares. É o caso do arcebispo emérito da Paraíba, d. José Maria Pires, que completou 80 anos no mês passado. Quando se aposentou, em 1995, d. José voltou para Minas Gerais, seu Estado de origem, e pediu para ser pároco de duas pequenas comunidades católicas, na zona rural de Córregos, onde nasceu. "Passei toda a minha infância por ali e sempre tive vontade de voltar para ajudar o povo", contou.
O pedido foi aceito pelo bispo da região, que vinha enfrentando dificuldades para encontrar sacerdotes interessados em trabalhar na zona rural. "São localidades pequenas, cuja população não tem dinheiro suficiente para garantir a sobrevivência do padre", explicou d. José Maria. "Como eu já recebo aposentadoria do INSS, posso trabalhar de graça". Nos fins de semana, o bispo aposentado sai de Belo Horizonte, onde mora, e dirige por estradas de terra até chegar aos distritos rurais. No total, viaja 400 quilômetros. Durante a semana, ele auxilia o arcebispo de Belo Horizonte e dá assistência à Associação dos Padres Casados.
D. José, que é negro e, por isso, ganhou os apelidos de d. Pelé e d. Zumbi, vai acompanhar as discussões da CNBB, na semana que vem. Poderá falar, mas não votar.

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