Caracas, 02 (AE-IPS) - A Assembléia Constituinte da Venezuela inicia amanhã (03) suas atividades. A cerimônia de instalação se realizará na Universidade Central, em Caracas. Os 131 membros eleitos têm um prazo de seis meses para redigir a nova Carta Magna do país. O presidente Hugo Chávez pediu audiência na primeira sessão formal do novo corpo constituinte, na quinta-feira, para apresentar seu próprio projeto para uma Constituição, elaborado com o apoio de uma equipe de assessores. Sua influência será decisiva. Afinal, o Polo Patriótico (oficialista) conquistou 121 cadeiras em eleições realizadas no último dia 25.
"Espero que seja um acontecimento histórico sério", disse hoje o candidato independente mais votado nas eleições, Claudio Fermín. A Assembléia é a principal iniciativa política de Chávez
que assumiu o governo no último 2 de fevereiro e pretende reconstruir a democracia venezuelana mediante uma "revolução pacífica". O presidente qualifica o processo constituinte de "batalha contra os políticos que controlaram a etapa democrática iniciada em 1958 com a queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez".
Chávez, tenente-coronel da reserva, em 1992 liderou uma tentativa de golpe de Estado. Durante a campanha para a Assembléia se autodefiniu como "comandante da Constituinte". Após ser instalada, a Assembléia deverá decidir as regras para seu funcionamento ainda que se presuma que grande parte delas foram já delineadas pela maioria oficialista.
Embora devam ganhar como os deputados do Congresso, os constituintes não terão adicionais e devem participar de todas as sessões. Os trabalhos devem acontecer em um salão do Congresso, atualmente em recesso. A nova Carta Magna do país andino estará pronta no início do ano que vem e entrará em vigência depois de aprovada por um referendo popular. A Venezuela, dentro da Comunidade Andina de Nações (CAN), é um dos países que mais têm pressa em fechar um acordo de livre comércio com o Mercosul.

mockup