Caracas, 26 (AE-IPS) - A esmagadora vitória do oficialismo nas eleições de domingo na Venezuela, para escolha da Assembléia Constituinte, evidencia o esgotamento do modelo político vigente e jogou para a marginalidade os partidos tradicionais. O Pólo Patriótico, que apóia o presidente Hugo Chávez, conquistou 120 das 128 cadeiras da Assembléia, impondo-se como poder predominante no novo mapa político do país andino.
Os partidos tradicionais, o social-democrata Ação Democrática (AD) e o democrata-cristão Copei, que se alternaram no poder durante 40 anos de democracia, ficaram fora do processo de elaboração da nova Constituição do país. Chávez, tenente-coronel da reserva que assumiu o poder em fevereiro, disse que a convocação da Carta Magna visa derrubar "40 anos de politicalha corrupta".
A Assembléia Constituinte, formada por 128 delegados, eleitos domingo, e três representantes indígenas, terá prazo de seis meses para redigir a nova Carta Magna. Os dois partidos tradicionais não participaram da campanha eleitoral, embora alguns de seus integrantes o tenham feito por iniciativa própria. Os poucos opositores a Chávez, eleitos domingo, são independentes e desvinculados de partidos tradicionais.
As reações oposicionistas ficaram por conta dos constituintes eleitos. Alberto Franceschi, vinculado ao Projeto Venezuela, única força política a fazer contrapeso a Chávez nas eleições presidenciais, disse que fará uma "oposição inflexível". O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) disse que a abstenção foi de 52,90% dos eleitores. A abstenção foi 10 pontos inferiores aos 63% registrados no plebiscito de abril que autorizou a realização destas eleições.
Analistas políticos não acreditam que o novo mapa político surgido no domingo seja definitivo. Para Luis Vicente León, diretor da empresa de pesquisa Danatanálisis, os partidos tradicionais estariam "hibernando". Segundo León, esses partidos esperam apenas que caia a popularidade do atual mandatário.

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