Curitiba – Horas antes do anúncio da decisão judicial, professores e funcionários das escolas estaduais do Paraná haviam decidido, em assembleia realizada pela manhã, continuar a greve da categoria, que completou ontem 24 dias. Cerca de 20 mil pessoas participaram do encontro.
As arquibancadas do Estádio Durival Britto e Silva, a Vila Capanema, em Curitiba, ficaram lotadas. A votação que decidiu pela continuidade da paralisação aconteceu por volta das 11 horas, com a maioria dos presentes levantando os crachás e cartões em sinal de apoio à greve. Pouquíssimos servidores se manifestaram contra o movimento.
Após a reunião na Vila Capanema, os grevistas seguiram em passeata para o Centro Cívico, a fim de acompanhar a sessão da Assembleia Legislativa (AL) que teria a prestação de contas do secretário estadual de Fazenda, Mauro Ricardo Costa.
"A greve continua porque nós entendemos que ainda faltam significativos pontos para resolver com a categoria", afirmou a secretária de Finanças do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato), Marlei Fernandes de Carvalho, logo após a assembleia.
Além da dívida de R$ 96 milhões do Estado para pagamentos de progressões e promoções de professores em atraso, Marlei de Carvalho disse que há problemas sérios com organização escolar, ou seja, é preciso redistribuir as vagas em salas, muitas superlotadas, organizar contraturnos e contratar professores em regime de Processo Seletivo Simplificado (PSS).
Ela afirmou que a categoria desconfia que o Governo do Estado não vai cumprir os pontos já definidos na mesa de negociação. "O próprio governo, em momentos anteriores, rompeu com aquilo que havia debatido e negociado", disse. E completou: "O governo pode conversar conosco, ele não precisa ir à Justiça. Nós estamos 24 horas em frente ao Palácio Iguaçu". Desde o dia 9 de fevereiro, um grupo de servidores está acampado em frente à sede do Executivo estadual.
O presidente da APP Sindicato, Hermes Silva Leão, apelou para a compreensão da sociedade. "Queremos pedir o apoio dos estudantes, dos jovens, dos adolescentes, quase 1 milhão (de alunos) que querem voltar para a escola, e também pedir o apoio das mães, dos pais, dos responsáveis. Nós ainda não temos condição de infraestrutura, organização, segurança de escolas. O governo ainda não implementou o que debateu até agora. Faltam itens importantes", avaliou.
A funcionária Nilva Bisinello e a diretora escolar Dulci Mioranza vieram de Campo Bonito, no Sudoeste, para participar da assembleia e votaram pela continuação da greve. A preocupação maior das duas é com as mudanças que o governador Beto Richa (PSDB) vai propor para o Paranaprevidência. Dulci deve se aposentar em dois anos e teme que essas mudanças acabem prejudicando a sua aposentadoria.
"Quanto à infraestrutura, a minha escola está bem. A minha preocupação é com o Paranaprevidência", apontou Dulci. "Eu esperava esse resultado da assembleia (continuação da greve) porque os pontos principais ainda estão em aberto", afirmou Nilva.

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