Assassinos de Ives são condenados a 45 anos
Assassinos de Ives são
condenados a 45 anos
André Lozano
Agência Folha
O juiz da 17ª Vara Criminal de São Paulo, José Luiz de Carvalho, condenou ontem o motoboy e os dois PMs acusados de envolvimento no sequestro e na morte do garoto Ives Ota, 8 anos, no dia 29 de agosto de 1997, a penas entre 43 e 45 anos de prisão. Ontem, Ives completaria 9 anos. O garoto foi sequestrado em sua casa, na Vila Carrão.
Segundo a sentença, o motoboy Adelino Donizete Esteves teria ido à casa de Ota e apontado uma arma à empregada, anunciando um assalto. Depois, teria entrado na casa e perguntado quem era o filho de Massataka Ota, comerciante que seria extorquido pelo grupo, mediante o sequestro de Ives.
O juiz Carvalho entendeu que o PM Paulo de Tarso Dantas foi o mentor do sequestro. Dantas trabalhava como segurança em uma das lojas do pai de Ives. O motoboy, depois de tirar Ives de casa, teria sido protegido por Dantas. Segundo a sentença, os sequestradores pretendiam extorquir US$ 800 mil da família Ota.
Os denunciados teriam decidido matar Ives porque ele teria reconhecido Dantas. O próprio Dantas teria ordenado o motoboy a matar o garoto, para que não pudesse ser reconhecido. O motoboy teria oferecido ao garoto um copo de leite com chocolate contendo calmante. Entorpecido, o menino adormeceu.
Depois de pôr o menino na cova, cavada em seu quarto, o motoboy teria dados dois tiros no rosto de Ives. O motoboy é o único do trio que confessa o crime. Segundo o juiz, o PM Dantas, homem inteligente e astuto, era o único dos três que conhecia a rotina de Massataka.
De acordo como o juiz, o outro PM, Sérgio Eduardo Pereira de Souza, foi um seguidor de Dantas. Seu apelido, Mocorongo, ilustra sua personalidade pacata e meio passiva. Segundo ele, Souza, que trabalhava como segurança com Dantas, teria sido instigado pelo mentor do plano. Os soldados Paulo de Tarso Dantas e Sérgio Eduardo Pereira de Souza foram condenados por sequestro seguido de morte.
Por a vítima ter menos de 14 anos, a pena foi acrescida da metade. Eles ainda foram condenados por ocultação de cadáver. O motoboy Adelino Donizete Esteves, além do sequestro e ocultação de cadáver, foi condenado por falsidade ideológica.





