São Paulo, 10 (AE) - O gerente de Operações da Telefônica Cláudio Campos Gonçalves, de 44 anos, morto há dois meses no Hotel Embaixador, no Paraíso, zona sul da capital, foi executado por vingança pelo mecânico de motocicletas e assaltante Vanderlei Aparecido de Castro, de 32.
O crime foi filmado pelo circuito interno de tevê do hotel. Castro revelou o fato hoje, durante a reconstituição do crime, promovida pelo delegado Sílvio Balangio Júnior, titular do 36º Distrito Policial, e acusou a vítima de fornecer celulares clonados para presidiários.
Segundo Castro, que foi preso na semana passada, Gonçalves tinha ligações com marginais e pedira-lhe que roubasse o carro e dinheiro de um doleiro de Santos, onde vivia. O mecânico contou que, quando foi entregar o veículo ao engenheiro, acompanhado da mulher e do filho de 1 ano, policiais militares cercaram o carro em que estava.
Pela versão de Castro, os PMs abriram fogo e só não o mataram porque ele estava usando um colete à prova de balas. O mecânico conseguiu fugir, levando o filho, mas os policiais prenderam sua mulher. Ele disse ter visto no interior do carro da Polícia Militar um civil parecido com Gonçalves.
O assaltante esteve preso em São Paulo até janeiro. Alegando questões éticas, Balangio negou-se a divulgar o nome do presídio
mas os arquivos da polícia indicam que Castro cumpriu pena na Casa de Detenção. Ele disse que, nesse período, conheceu um presidiário que atuava como intermediário do gerente da Telefônica no fornecimento de celulares clonados aos detentos. O mecânico afirmou que o detento morreu de forma misteriosa depois de ter sido libertado, no fim do ano passado.
Castro disse ter recebido celulares por meio desse esquema. Ele explicou que os números eram trocados por Gonçalves a cada 28 dias, para que a fraude não fosse descoberta.
O mecânico afirmou que, quando deixou a prisão, Gonçalves o procurou e sugeriu que ele assaltasse doleiros. Em seguida, passou o nome, os hábitos e o local onde encontraria uma das vítimas. O crime foi executado, mas Castro suspeitou que Gonçalves tentara novamente matá-lo, com a ajuda de policiais militares.
A partir de suas suspeitas, o assaltante passou a se informar a respeito dos hábitos de Gonçalves, principalmente onde ele dormia. Ficou sabendo que o gerente morava em Santos, trabalhava em São Paulo e se hospedava no hotel do Paraíso. No dia 12 de fevereiro, ficou de campana. Viu quando o engenheiro entrou, deixou as malas na recepção e saiu para estacionar seu Vectra.
Nesse momento, Castro entrou, dominou a recepcionista e prendeu todos os hóspedes. "Ele ficou sentado no pé da escada, aguardando o engenheiro", informou o delegado.
Quando Gonçalves chegou, iniciou-se uma discussão, com muitos palavrões, ouvidos pela recepcionista. Num determinado momento, o engenheiro pediu desculpas, alegando não saber que a família de Castro estava no carro alvejado pelos policiais militares.
Com suas suspeitas confirmadas, o ladrão atirou com um revólver calibre 22, acertando o abdome do engenheiro. Até assassinar o gerente, Castro achava que Balangio era um funcionário menos graduado da Telefônica e se chamava Mário.
Segundo o delegado, Castro revelou muitos detalhes que confirmam sua versão. Disse também que Gonçalves não tinha passagens pela polícia.
Balangio afirmou que, de acordo com a Telefônica, o engenheiro trabalhou durante 24 anos na antiga Telesp e sua folha era a de um funcionário exemplar, sem nada que desabonasse seu comportamento na empresa.

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