Assassino de Eloá vai a júri popular
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sexta-feira, 09 de janeiro de 2009
Folhapress 
São Paulo - Após ouvir pessoas arroladas pela defesa e pela acusação, o juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André (Grande São Paulo), decidiu ontem que Lindemberg Alves, 22 anos, deve ser levado a júri popular. Ele está preso desde outubro do ano passado, quando manteve a ex-namorada refém por cerca de cem horas. Eloá Pimentel, 15, foi baleada no desfecho do cárcere privado e não resistiu aos ferimentos.
A defesa de Lindemberg recorreu da sentença. Ainda não há data marcada para o julgamento, mas a expectativa do promotor Antonio Nobre Folgado é de que o júri ocorra dentro de três meses.
Ontem, cinco pessoas arroladas pela acusação foram ouvidas - o irmão de Eloá, três amigos da menina que também foram rendidos por Lindemberg, e um policial militar. À tarde, nove testemunhas arroladas pela defesas também prestaram depoimento, entre elas três policiais militares do Gate.
Lindemberg, no entanto, preferiu não falar ao juiz. ''Prefiro me manter calado nesta oportunidade'', disse.
Nayara
A adolescente Nayara Rodrigues foi a primeira a ser ouvida pela Justiça ontem. Ela foi ouvida por aproximadamente uma hora e 40 minutos pelo juiz Carvalho Neto. Ela contou como conheceu Eloá, falou sobre os primeiros momentos do cárcere privado, confirmou que Lindemberg insistia com a garota para retomar o namoro e que voltou ao apartamento - após ter sido libertada - porque viu a amiga sob ameaça de uma arma.
Ela afirmou que, após ser libertada, dormiu na casa da avó e, no dia seguinte, policiais militares estiveram no local e pediram para que ela entrasse em contato por telefone com Lindemberg e que o rapaz mandou que ela subisse até o apartamento. A adolescente disse que decidiu entrar no imóvel ao ver que a amiga estava sob a mira de um revólver.
Eloá foi baleada com um tiro na cabeça, disparado por Lindemberg, no desfecho do caso - quando policiais militares invadiram o apartamento. À Justiça a adolescente afirmou que, momentos antes da invasão, ouviu um estampido e que, em seguida, a porta caiu e os PMs entraram no apartamento. Ela diz que não sabe identificar se seria um tiro.
A menina não foi questionada sobre os tiros disparados por Lindemberg no momento da invasão e também não falou sobre os disparos feitos por ele. Disse, no entanto, que percebeu que Eloá havia sido atingida e estava inconsciente quando já deixava o apartamento com os policiais, ferida.


