Brasília, 29 (AE) - O fazendeiro Darci Alves Pereira, condenado a 19 anos de prisão pela morte do sindicalista Chico Mendes, vai trabalhar fora da penitenciária da Papuda, onde está preso há três anos. Hoje o juiz da Vara de Execuções de Brasília
Everardo Alves Pinheiro, concedeu o regime semi-aberto para Pereira, que também está autorizado sair temporariamente do presídio por outros motivos que não seja o trabalho. Darly Alves da Silva, pai de Darci e também condenado a 19 anos como mandante da morte de Chico Mendes, já tinha havia sido beneficiado pela progressão de pena.
No ano passado, o então ministro da Justiça, Renan Calheiros, teve que modificar a legislação do indulto natalino para evitar que Darci e seu pai deixassem a prisão. O governo queria evitar que este fato provocasse reação internacional. Entretanto, na sexta-feira o juiz da Vara de Execuções decidiu atender ao pedido de progressão de pena para Darci, já que seu pai havia sido beneficiado com a medida, ainda no início do ano.
Considerado preso de bom comportamento, Darci é responsável hoje pela faxina do pavilhão IV da penitenciária da Papuda, onde está preso há três anos, depois de ter sido recapturado pela Polícia Federal no interior do Paraná. Pai e filho haviam fugido em fevereiro de 1993 da penitenciária de Rio Branco e passaram três anos entre o Paraná e Pará.
"Desde que recapturado jamais se envolveu em qualquer incidente, sendo elogiável o seu comportamento, servindo até mesmo de incentivo para a massa carcerária", afirma o juiz Everardo Ribeiro.
Darci Alves Pereira matou Chico Mendes no dia 22 de dezembro de 1988, depois de ser provocado pelo pai Darly Alves da Silva, com quem o sindicalista tinha uma antiga desavença. Foi Chico Mendes o responsável pela descoberta de uma carta precatória do Paraná onde Darly estava sendo acusado de ter participado da morte do corretor de imóveis Acyr Urizzi, em Umuarama, há mais de 20 anos.
Darci foi condenado a 19 anos de prisão e já cumpria outros 12 anos pela tentativa de homicídio contra um grupo de seringueiros que estava acampado na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Xapuri, seis meses antes da morte de Chico Mendes. Darci e Darly conseguiram fugir da prisão até serem encontrados pela PF, três anos depois: o pai estava em Medicilândia, no Pará, e o filho no interior paranaense.
O Ministério Público do Distrito Federal foi contra a concessão do regime semi-aberto para Darci. A alegação dos promotores é de que a decisão deveria ser tomada pela Justiça do Acre, responsável pelo processo. Mas, segundo a Vara de Execuções, Darci atendeu a todos os requisitos na lei para ser beneficiado pela progressão de regime. Até agora, ele havia cumprido sete anos, um mês e 15 dias de prisão.

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