Rio, 17 (AE) - Os jovens brasileiros entre 15 e 19 anos morrem principalmente assassinados: 75% das mortes nessa faixa etária são por causas externas - e mais da metade é homicídio. O dado faz parte do trabalho Crianças e Adolescentes: Indicadores Sociais, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e feito em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A violência não é a única má notícia do estudo do IBGE, que tem como objetivo traçar, de forma estatística, as condições socioeconômicas em que vive a população de 0 a 24 anos, com dados relativos a 1997. Nada menos do que 24 milhões de crianças e adolescentes são pobres - ou seja, têm renda per capita de até meio salário mínimo.
"Esses números significam que toda uma geração vive uma realidade de violência que marcará suas vidas, provocará cicatrizes que vão fazer parte da História do Brasil", avaliou o presidente do IBGE, Sergio Besserman. Ele lembrou que o historiador Eric Hobsbawn, em seu livro "A Era dos Extremos", aponta as consequências terríveis para os jovens que viveram a experiência da 1ª Guerra Mundial. "A violência dessa guerra marcou a geração que, mais tarde, criou o fascismo, o nazismo e o totalitarismo soviético", advertiu Besserman.
A representante do Unicef no Brasil, Reiko Niimi, argumentou que, embora geralmente se associe pobreza à violência
estudos mais profundos mostram que as desigualdades sociais é que estão entre os motivações do aumento da criminalidade. "O Brasil tem enormes disparidades de renda, é preciso cobrar políticas públicas inclusivas e redistributivas, porque não se pode admitir crianças em casas sem banheiro, não se pode admitir que os 10% mais ricos da população tenham renda 30 vezes maior do que os 40% mais pobres."

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