Assassinatos em série assustam cidade gaúcha
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domingo, 28 de março de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 29 (AE) - Mais um casal foi morto em Rio Grande, cidade gaúcha de 180 mil habitantes, situada no Sul do Estado, a 310 quilômetros da capital. A polícia descobriu os corpos do aposentado Rubilar de Lima, de 53 anos, e de sua mulher, Maria Isabel Almeida, de 37, no domingo à noite. Com eles, são seis os casais mortos - baleados ou esfaqueados - em Rio Grande desde novembro. O cenário de cinco dos ataques a casais foi a praia do Cassino, um dos locais escolhidos para namorar à noite.
A polícia acredita que as mortes não estão todas interligadas e que existem vários autores, incluindo uma quadrilha de traficantes de cocaína e ladrões de carros e um assassino serial. Neste caso, apenas dois dos seis casais teriam sido atacados pelo maníaco. As armas usadas são diferentes e o modo de agir também. Em algumas situações há furto, em outras não.
No caso das duas vítimas mais recentes há uma terceira situação. "Ele atirou na mulher com um revólver calibre 38 e depois se matou", resumiu o delegado regional de Rio Grande, Pedro Alvarez. Os corpos foram encontrados na noite de domingo, na residência do casal, situada na avenida Portugal, bairro Cidade Nova, região de classe média baixa. É o único dos crimes completamente elucidado, segundo Alvarez.
A cronologia dos assassinatos foi aberta em novembro de 1998. No dia 14 daquele mês foram encontrados os corpos dos professores universitários Vitor Hugo Vitola, de 51 anos, e de sua mulher Dacila, de 49, ambos funcionários da Fundação Universidade de Rio Grande (Furg). Os Vitola, mais sua empregada doméstica, Maria Julieta da Silva, de 38 anos, tiveram as gargantas cortadas dentro de sua casa no Cassino. O motivo do ataque seriam os dólares que estariam guardando para uma viagem ao exterior.
Os estudantes Felipe Martins dos Santos, de 21 anos, e sua namorada, Bárbara de Oliveira da Silva, de 22, apareceram executados com seis tiros na mesma praia no dia 11 de dezembro de 1998. Neste caso, a suspeição recai sobre uma quadrilha de traficantes, de quem Santos teria comprado jóias mas não pagara. A arma do crime foi um revólver calibre 38.
O terceiro casal assassinado foi Márcio Rodrigues Olinto, de 30 anos, e Anamaria Xavier Soares, de 31. Os dois eram servidores da Justiça Federal e estudantes de Direito na Furg. Os cadáveres foram descobertos na praia do Laranjal, em Pelotas, distante 60 quilômetros de Rio Grande, no dia 10 deste mês. Para os policiais, ambos teriam sido rendidos dentro de seu carro, no Cassino, e levados para Pelotas.
Os autores, ainda desconhecidos, teriam roubado cartões de crédito e talões de cheque. Ainda não se sabe se a arma foi uma pistola 765 ou um revólver 32.
No dia 20 de março, os adolescentes Petrick Castro Almeida, de 18 anos, e Brenda Gaebrin, de 14, foram alvejados com balas do mesmo calibre também no Cassino. Petrick levou um tiro no pescoço e morreu. Brenda escapou mas corre o risco de ficar tetraplégica. Seis dias mais tarde, as vítimas foram o vendedor de assinaturas de revista, Sílvio Luiz Ibias, de 36 anos, e a professora Adriana Nogueira Simões, de 28. Seus corpos, com tiros na nuca de pistola 765, foram localizados à beira-mar. A exemplo dos dois casos anteriores, o casal foi surpreendido quando estava dentro de um automóvel, à noite, junto ao mar.
"Estes três assassinatos ocorreram de modo muito parecido, inclusive com o uso de uma pistola 765", reparou o delegado. Para ele, quem matou Almeida, Ibias e Adriana e ainda feriu Brenda gravemente foi a mesma pessoa. Não houve furto dos pertences dos dois casais. "Ele pode atacar novamente. Estamos patrulhando a praia e já avisamos às pessoas para não se exporem", acentuou.
As mortes dos demais casais estão, conforme a polícia, relacionadas com o crime organizado. Seria resultado da operação de uma quadrilha de traficantes de cocaína e ladrões de carros que atua no Sul do Estado. Duas pessoas estão detidas sob suspeita de matarem os Vitola e sua empregada e outros cinco de estarem envolvidas nas execuções de Felipe dos Santos e Bárbara da Silva. Na semana passada, a Secretaria de Justiça e Segurança/RS enviou 115 policiais civis e militares a Rio Grande para ajudar nas averiguações.


