ASSASSINATOS EM SÉRIE - Familiares cobram resposta sobre motivação
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sexta-feira, 13 de maio de 2016
Vítor Ogawa e Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Familiares das vítimas da chacina se reuniram em frente ao hotel onde ocorreu a coletiva de imprensa com as autoridades de Segurança Pública para protestar contra os assassinatos. Verônica Alves da Silva, de 34 anos, mulher do auxiliar administrativo Valcir Gomes de Souza, de 36, que morreu depois de 11 dias internado, comemorou as prisões, mas cobra uma resposta sobre a motivação dos homicídios. "Meu marido era trabalhador e não tinha passagem pela polícia. Chegaram atirando, inclusive contra crianças. Queremos saber o porquê", cobrou.
Paulo César de Oliveira, de 21 anos, que estava na casa de Souza, no Jardim Planalto (zona norte), levou quatro tiros. Depois de 50 dias internado, ele recebeu alta e também foi atrás de respostas, segundo ele, até agora não respondidas. "Estávamos reunidos, então chegaram atirando. Foi tiro e mais tiro. Não lembro de muita coisa, porque fui um dos primeiros a ser baleado", comentou. Oliveira exibiu as marcas dos tiros recebidos: duas na cabeça, uma no pescoço e uma na perna. "Nem sei como estou vivo", avaliou.
A reportagem conversou também com outro sobrevivente, que preferiu não se identificar. "Agora estou vendo que estão investigando. Não vai resolver o que aconteceu e nem vai apagar de minha cabeça o que aconteceu e tudo que a gente viveu, mas pelo menos a justiça está sendo feita. Ninguém tem o direito de matar uma pessoa sem critério para vingar a morte de um amigo", comentou.
O presidente da comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Paulo Magno, fez uma análise positiva do caso. "É uma resposta, ainda que parcial, aos familiares e à sociedade em geral. Agora queremos saber o que motivou o grupo a matar essas pessoas sem qualquer tipo de envolvimento com o crime, ainda que isso não justifique um justiçamento", argumentou.
O secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita, garantiu que as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e se o grupo vinha agindo antes dos ataques aos dois policiais, no final de janeiro. "Ainda temos algumas questões sem respostas que devem ser esclarecidas nos próximos dias, com as prisões", disse o secretário.


