Assassinato foi planejado por 15 dias
Agência Folha
De Mundo Novo
As três pessoas presas ontem teriam ajudado o pistoleiro Getúlio Machado a fugir e a preparar a crime. Machado confessou ser o autor dos tiros e foi indiciado pelo homicídio. Ele e os três detidos teriam planejado o assassinato por cerca de 15 dias.
Segundo a polícia, eles usaram até disfarces como peruca, bigode e barba postiços para vigiar a casa de Dorcelina. A observação foi feita do terreno de onde o assassino disparou, no dia 30 de outubro, os seis tiros que mataram a prefeita.
A polícia mantém presos, desde o final de semana, o acusado de ser o mandante do crime, o ex-secretário de Finanças do município Jusmar Martins da Silva, e o despachante Roldão Teixeira de Carvalho, que teria contratado Machado por R$ 35 mil.
Com as últimas prisões, a polícia espera ter concluído as investigações que envolvem a preparação do assassinato. Resta esclarecer ainda de onde teria vindo o dinheiro para pagar o pistoleiro. A polícia apura se seria usado dinheiro público, já que Silva era secretário municipal.
O pai de Silva, o delegado Joel José da Silva, afirmou ontem à reportagem que o advogado do filho ainda não foi constituído. O delegado foi removido de Mundo Novo para Campo Grande pela Direção Geral da Polícia Civil por interesses administrativos.
Ontem, a Prefeitura de Mundo Novo, bloqueada por militantes do PT e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desde segunda-feira, foi reaberta. Um oficial de Justiça, acompanhado da Polícia Militar, cumpriu mandado de desocupação assinado pelo juiz Cléber José Corsato Barboza.
Os participantes do protesto não resistiram à desocupação, mas também não entregaram a chave do cadeado que tinham usado para trancar a porta. Um chaveiro teve de ser chamado. De acordo com Indalécio Franco, um dos coordenadores da manifestação, o fechamento da prefeitura foi um protesto contra o prefeito Kléber Correa de Souza (PMDB), que teria conhecimento de que Silva era o mandante do crime.
Apesar de liberar o prédio, os petistas dizem que vão continuar protestando e pedindo intervenção do governo no município, renúncia ou o início de um processo de impeachment contra Souza. A Polícia Militar estimou que 170 pessoas estiveram no local, na hora da abertura da prefeitura, que voltou a funcionar, mas sem a presença do prefeito.





