Assassinato de diretora é investigado
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terça-feira, 05 de setembro de 2000
Agência Folha Do Rio de Janeiro 
A Secretaria da Segurança do Rio de Janeiro investiga a possibilidade de o assassinato de Sidneya Santos de Jesus, diretora do presídio de segurança máxima de Bangu 1, ter sido encomendado por agentes penitenciários.
Indignados com a suspeita, apontada em nota oficial assinada pelo governador Anthony Garotinho (PDT), agentes penitenciários expulsaram ontem o secretário estadual de Justiça, João Luiz Pinaud, do cemitério da Cacuia (zona norte), onde acontecia o enterro de Sidneya.
À noite, os agentes fizeram assembléia e decidiram entrar em greve para exigir a demissão de Pinaud. Os agentes vão manter apenas a alimentação, o socorro médico de emergência aos presos e o cumprimento de alvarás de soltura.
Estão suspensas visitas, consultas com advogados e transferências. Há cerca de 1.200 agentes nos presídios fluminenses.
Na mesma assembléia que decidiu a greve, 24 diretores do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe ) anunciaram que entregariam os cargos.
Apesar da investigação sobre os agentes, que estariam insatisfeitos com o trabalho de Sidneya, a secretaria não descarta a possibilidade de a morte ter sido determinada por presos de Bangu 1, como os traficantes Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, e Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP.
A diretora de Bangu 1 foi assassinada na noite de anteontem, quando chegava em casa, na Ilha do Governador (zona norte). Foi abordada por dois homens e levou três tiros. Tinha 46 anos.
De manhã, o governo estadual divulgou nota em que Garotinho fala da possibilidade de participação de agentes no crime.
Hoje, a investigação tem duas linhas: pode ter sido uma ordem direta do tráfico ou de integrantes da corporação, insatisfeitos com sua gestão incorruptível, disse.
Os agentes penitenciários transformaram o enterro de Sidneya em um protesto por condições mais seguras de trabalho.
No cemitério, Pinaud foi chamado de assassino e vaiado por agentes e parentes da vítima. Ele não conseguiu ficar mais de cinco minutos no velório. Insultado, dirigiu-se para o carro oficial, que foi cercado pelos agentes. Alguns deles chegaram a chutar o carro.
Os agentes, que de manhã realizaram um cerco ao prédio da Secretaria de Justiça, em Botafogo (zona sul), levaram cartazes para o cemitério. Enquanto Pinaud dormia, a diretora morria, afirmava um cartaz.
O presidente do Sindicato dos Servidores da Secretaria de Justiça, Francisco Rodrigues, disse que Pinaud só defende os direitos humanos dos bandidos.
Havia cerca de 500 agentes, amigos e parentes de Sidneya no cemitério. Os agentes chegaram em carreata, iniciada no complexo de presídios de Bangu (zona oeste) e que passou pela frente do palácio Guanabara (sede do governo estadual, na zona sul).


