Os presos mortos na chacina do presídio Urso Branco eram colaboradores da diretoria. Todos os 27 assassinados cumpriam pena por crimes leves e eram chamados de ‘‘cela livre’’ porque em grande parte do tempo realizavam tarefas de apoio à administração da unidade. Eles acabaram mortos porque repassavam informações sobre tudo o que acontecia nas celas. ‘‘Foi inveja e ódio que levou os outros a matarem os celas livres’’, disse ontem um funcionário da Superintendência de Assuntos Penitenciários de Rondônia (Susep).
Há três frentes de investigação da matança de quarta-feira – uma sindicância interna, um inquérito no Ministério Público e outro na Delegacia de Crimes Contra a Vida. A polícia já sabe que os celas livres foram executados ‘‘de surpresa e pelas costas’’ durante a madrugada. Os trabalhos de investigação foram reduzidos ontem em virtude do feriado de instalação do Estado mas a Susep manteve plantão temendo novos tumultos no Urso Branco.
No final da tarde de quinta-feira os presos exigiram a separação dos chamados ‘‘civis’’ (crimes leves) dos de alta periculosidade – ameaçando deflagrar nova matança. O ‘‘gabinete de gerenciamento da crise’’ acatou o pedido e a mudança foi feita.
A secretária nacional de Justiça, Elizabeth Sussekind, e o diretor do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), Ângelo Roncalli, reuniram-se ontem com o governador em exercício de Rondônia, Miguel de Souza (PFL), e outras autoridades estaduais. O governador José Bianco (PFL) está de férias.
Ficou decidida a construção de dois presídios, somando 240 vagas, que devem ser concluídos em 180 dias, e o término, em 90 dias, de uma ala com 70 vagas no presídio de Guajará-Mirim. ‘‘Eu discordo que o problema do sistema penitenciário de Rondônia seja unicamente falta de recursos. Há problemas de gestão, de sensibilidade e de falta de investimentos por parte do Estado’’, disse a secretária.
A Susep fala em pedir a transferência para outros Estados de cerca de 50 detentos mais perigosos do Urso Branco. O governo rondoniense acelerou a liberação de R$ 4 milhões para concluir em 90 dias dois presídios em Vila Nova do Mamore e Rolim de Moura, que abrirão 480 novas vagas.

mockup