Assassinado o primeiro-ministro da Armênia
Erivan, Armênia, 27 (AE-AP) - Um comando terrorista portando armas autormáticas irrompeu hoje no Parlamento da Armênia, em Erivan, capital do país, e matou o primeiro-ministro Wasgen Sarksyan no momento em que ele concluía um discurso transmitido por cadeia nacional de rádio. Gritando "Isto é um golpe de Estado", o grupo de cinco ou seis homens vestindo capas pretas assassinou ainda o presidente do Parlamento, Karen Demirchyan, o vice-presidente da Casa, Yuri Bakhshyan e o ministro de Assuntos Operativos, Leonard Petrosyan, de acordo com um comunicado oficial do governo. Imagens da TV local mostram pelo menos dois homens disparando contra os parlamentares, muitos dos quais se escondiam debaixo de suas mesas.A emissora armênia de TV Al Plus informou, citando como fonte um alto funcionário, que o ministro das Finanças também estava "provavelmente morto". Ao todo, 8 pessoas teriam morrido e 30 ficado feridas, incluindo cinco deputados. Um parlamentar que conseguiu sair do edifício disse ter visto um atirador despejar o pente inteiro de uma metralhadora no primeiro-ministro.
Após o tiroteio, o comando tomou dezenas de pessoas como reféns e enquanto alguns funcionários e parlamentares fugiam em pânico, o prédio foi imediatamente cercado pela polícia. A TV Al Plus calcula que de 150 a 200 pessoas estejam retidas no prédio. O secretário de imprensa da Presidência, Vahe Gabrielian, disse que haveria apenas 30 e fontes policiais informavam ser dezenas. Um câmera de TV que teve permissão para entrar no edifício após o tiroteio contou que um dos homens, aparentando muita tranquilidade, disse-lhe para ficar calmo, pois não eram terroristas.
Os terroristas exigiram travar negociações com o presidente do país, Robert Kocharian, que chegou pouco depois ao local e se mantinha em consulta permanente com eles e os chefes das forças de segurança. A Assessoria de Imprensa não revelou o teor das negociações nem as reivindicações do grupo. Centenas de militares e veículos blindados tomaram posição ao redor do Parlamento, situado no centro de Erivan. Não estavam claros os motivos dos terroristas.
"Eles disseram que era um golpe e pediram que os jornalistas informassem o povo sobre isso. disseram que iriam punir as autoridades por tudo o que tinham feito ao país", relatou o repórter Konstantin Petrosyan, que se encontrava no plenário durante a sessão em que Sarkisian respondia a perguntas dos políticos. Petrosyan disse ter reconhecido um dos membros do comando. Seria o jornalista Nairu Unanyan, membro do partido nacionalista Dashnak, mas agência de notícias russa Interfax informou que ele só pertenceu a essa organização por pouco tempo
em 1990.
O porta-voz presidencial insistia, porém, que não se tratava de um grupo com filiação político-partidária. "Pelo menos eles não estão declarando pertencer a nenhuma organização", explicou. "Isto não é, de modo algum, um golpe de Estado." No vizinho Azerbaijão, as autoridades levantavam a hipótese de que o assalto ao Parlamento seria uma tentativa de prejudicar as conversações de paz entre os dois países, atualmente em franco progresso. O vice-primeiro-ministro Khalaf Khalafov afirmou que o ataque poderia ter sido lançado por "forças externas" alarmadas com o progresso recente nas conversações sobre Nagorno-Karabakh e interessadas em desestabilizar o país. Ele não deu detalhes sobre a que forças se referia, mas na região do Cáucaso o termo é rotineiramente empregado para aludir à Rússia. Armênia e Azerbaijão são ex-repúblicas soviéticas.
O ataque terrorista ocorreu uma hora antes de o subsecretário de Estado americano, Strobe Talbot, encerrar uma visita ao país para discutir a questão de Nagorno-Karabakh, um enclave armênio no Azerbaijão, que já levou os dois países à guerra.
O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James Rubin, expressou a condenação do país ao ataque e disse não haver motivo para vincular a ação à visita de Talbott à Armênia, durante a qual se reuniu com Kocharian.





