Assunção, 23 (AE-ANSA)- O assassinado vice-presidente paraguaio, Luis María Argaña, até sua morte violenta hoje (23), protagonizou um grande embate com o general retirado Lino Oviedo, a quem seguidores do político executado atribuem responsabilidade pelo crime.
Argaña, afirman seus partidários, ganhou em 1993 as eleições internas do governista Partido Colorado para encabeçar a chapa presidencial, mas sua vitória foi desconsiderada e atribuída a Juan Carlos Wasmosy, eleito presidente no mesmo ano.
As mesmas fontes asseguram que o arquiteto da manobra pró-Wasmosy foi Oviedo, um chefe militar que ganhou grande influência durante o governo do falecido general Andrés Rodríguez (1989-93).
Oviedo havia ganho prestígio, sobretudo, por seu papel no golpe de Estado que derrubou o ditador Alfredo Stroessner en 1989.
Por anos, Argaña considerou ilegítimo o governo de Wasmosy e continuou reclamando, sem êxito, a candidatura perdida, aumentando sua rivalidade com Oviedo.
O cenário foi modificado quando em abril de 1996 Oviedo tentou dar um golpe de Estado contra Wasmosy e foi retirado do comando do Exército e passado para a reserva.
Já fora do Exército, Oviedo lançou-se na arena política com êxito e disputou a canditatura presidencial contra o persistente Argaña, a quem derrotou nas eleições primárias coloradas de dezembro de 1997.
A candidatura de Oviedo à presidência foi, entretanto, bloqueada quando um tribunal militar o condenou a 10 anos de prisão pela tentativa do golpe de 96, uma decisão judicial que os oviedistas garantem ter sido inspirada por Wasmosy e Argaña, que se aliaram.
Com a sentença de 10 anos de prisão, a candidatura de Oviedo pelo Partido Colorado para as eleições de maio de 1998 foi anulada.
A sentença foi confimada pela Suprema Corte dias antes das eleições e Oviedo, encarcerado, foi substituído na chapa do Partido Colorado por Raúl Cubas, originalmente seu companheiro de chapa como candidato a vice-presidente.
Nessa reacomodação da chapa oficialista, Argaña foi consagrado como candidato a vice-presidente.
Os integrantes da chapa, entretanto, nunca puderam dissimular as profundas diferenças que os separavam.
Cubas venceu as eleições presidenciais graças aos votos dos seguidores de Oviedo, e assumiu o governo em agosto passado.
Imediatamente, ele decretou a liberdade de Oviedo, desencadeando uma tormenta política.
Por seu lado, o ex-comandante do Exército exigia que os argañistas fossem excluídos dos cargos públicos.
O confronto entre Argaña e Oviedo-Cubas se aprofundou à medida que a crise política passava para o plano de um enfrentamento entre poderes de Estado em torno da situação do ex-comandante militar.
Neste sentido, a Suprema Corte havia ordenado Cubas a deter e encarcerar novamente Oviedo, mas o presidente desobedeceu a ordem e a considerou uma intromissão de um poder de Estado em outro.
O fato é que Oviedo permaneceu em liberdade e manteve sua luta para expulsar os partidários de Argaña da direção do Partido Colorado através de uma eleição interna.

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