Karachi, 10 (AE-AP) - Poucos dias depois de receber ameaças de morte, um dos advogados do deposto primeiro-ministro do Paquistão Nawaz Sharif foi morto hoje (10) por três pistoleiros que invadiram seu escritório.
Sharif está sendo julgado pelas acusações de sequestro, terrorismo e tentativa de assassinato.
Segundo testemunhas, três homens, armados com um fuzil e pistolas, invadiram o escritório do advogado Iqbal Raad atirando, enquanto outro pistoleiro vigiava a entrada do prédio na cidade de Karachi. Um assistente de Raad e um outro advogado também foram assassinados.
Horas mais tarde, o novo governante militar do país, o general Pervez Musharraf, qualificou o ataque de "novo ato terrorista" e ordenou que os pistoleiros fossem encontrados e detidos.
"Eu perdi as esperanças", desabafou a mulher de Sharif, Khulsoon. "Se tal proeminente advogado envolvido num caso de tanta repercussão como este pode ser morto, porque alguém mais iria assumir o caso?"
"Ele recebeu telefonemas e cartas com ameaças. Ele estava muito preocupado", disse ela a repórteres. "Diziam para ele se afastar do caso".
O assassinato ocorre duas semanas antes da breve visita que o presidente americano, Bill Clinton, fará ao Paquistão. A Casa Branca divulgou um comunicado condenando o assassinato e destacando que Sharif merece um julgamento "livre, aberto e transparente".
Sharif foi acusado de ter impedido, em 12 de outubro, que o avião em que o general Musharraf viajava aterrissasse no aeroporto de Karachi. A nave, com mais de 200 pessoas a bordo, finalmente aterrissou quando estava com combustível para apenas mais sete minutos de vôo.
Poucas horas depois do incidente, altos comandantes militares rebelaram-se e tomaram o poder por meio de um golpe.

mockup