Buenos Aires, 17 (AE-AP) - Assalto ao Banco de La Nación
em Villa Ramallo - localizado a 180 quilômetros ao norte de Buenos Aires -, terminou em tragédia nesta madrugada (17) depois de 20 horas de tensão. Três pessoas morreram, sendo dois reféns, na caótica e violenta conclusão do drama que foi acompanhado ao vivo por todo o país. O desfecho comoveu a Argentina, desencadeando protestos e reflexos políticos. O assalto à agência do Banco Nación terminou às 4h10 desta madrugada (17) durante a tentativa de fuga dos criminosos. No tiroteio, morreram o gerente do banco, Carlos Chávez, e o contador, Carlos Santillán, enquanto que a mulher do gerente, chamada Flora, sofreu ferimentos leves. Dois criminosos foram detidos, sendo que um deles foi ferido com gravidade, disse um porta-voz do Ministério da Segurança argentino. Os assaltantes entraram na agência do Banco de La Nación na manhã dessa quinta-feira (16). Os vizinhos perceberam o assalto e chamaram a polícia, que cercou a agência com 20 homens. Acuados, os criminosos tomaram as seis pessoas que se encontravam no edifício como reféns. Todas as emissoras de televisão de Buenos Aires interromperam a programação para transmitir ao vivo o desenrolar do drama, com direito à imagens de helicóptero. Treze horas depois do início do assalto, os criminosos concordaram em libertar três dos reféns. O tiroteio ocorreu quando os assaltantes tentaram fugir de carro levando três reféns. Eles quiseram furar o bloqueio formado por cerca de 200 policiais. A televisão mostrou as cenas para todo o país. A população de Villa Ramallo e as famílias das vítimas reagiram indignadas porque esperavam que a polícia deixasse o carro passar para a segurança dos reféns, porém, sem perder o veículo de vista, com monitoramento por helicóptero. Revoltados, os funcionários do Banco de La Nación, com 576 agências em todo o país, entraram em greve e a população de Villa Ramallo, de cerca de 10 mil habitantes, fizeram protesto em frente ao local da tragédia. A Associação Bancária Nacional da Argentina anunciou para segunda-feira uma greve do setor para reivindicar maior proteção. De acordo com a associação foram mais de cem assaltos neste ano, com um prejuízo de US$ 16 milhões. O episódio reativou o debate sobre o aumento da violência na Argentina, um dos três pontos mais importantes da campanha presidencial de 24 de outubro. Eduardo Duhalde, governador da província de Buenos Aires que inclui Villa Ramallo, solidarizou-se com sua equipe de segurança e lamentou o que ele chamou de "massacre". Ele disse que as forças de segurança, que foram severamente criticadas, tinham recebido ordens para não atirar. Como candidato do Partido Peronista para as eleições presidenciais, Duhalde interrompeu sua campanha pela província de Santa Fé para retornar a Buenos Aires após o desfecho trágico do assalto. O candidato da oposição, Fernando de la Rua, da coalizão Aliança
declarou que as forças de segurança deveriam ser melhor equipadas e treinadas. Ele disse ainda que os tiros foram disparados "sem respeito à vida das vítimas". "Isso é um péssimo sinal a enviar à população", acrescentou de la Rua, que lidera as pesquisas de intenção de voto com 34,2 pontos percentuais de vantagem sobre Duhalde. O ministro do Interior, Carlos Corach, que já vinha recebendo críticas de que o aumento da criminalidade estava fugindo ao controle, pediu à população que evitasse fazer qualquer julgamento precipitado sobre os fatos ocorridos em Villa Ramallo. O presidente Carlos Menem disse que assistiu ao desdobramento do drama pela televisão como qualquer outra pessoa
mas não quis fazer nenhum julgamento sobre o caso. "Eu ainda não fui totalmente informado, acompanhei o caso pela televisão durante toda a noite", disse Menem.

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