Assaltantes tranquilizaram as reféns
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 22 (AE) - As duas meninas tomadas como reféns pelos três assaltantes em Bocaiúva do Sul, PR, disseram hoje que tiveram muito medo durante o sequestro, mas reconheceram que os assaltantes foram gentis. Eles passaram tranquilidade principalmente para Suziane, a primeira a ser libertada, que deixou os pais mais calmos. Mas a tranquilidade não será mais a mesma. "Agora o medo vai ficar junto com a gente", disse a mãe das meninas, a professora Sônia Santos Piovezan. Hoje cansadas e acompanhadas pelos pais, as meninas conversaram com repórteres em Curitiba. - Como a senhora avalia a atitude de suas filhas? Sônia Santos Piovezan: Heroínas. - E você, o que pensava naquela hora? Chegou a pensar no pior? Viviane Santos Piovezan: Diversas vezes. - Por quê? Viviane: Não sei. - Qual foi o momento mais difícil para você? Viviane: Todos os momentos foram difíceis.
-Quando você pensou que poderia acontecer o pior? Viviane: Ah, não sei. - Como foi ficar tanto tempo com eles? O que você pensava? Viviane: Eles foram supergentis com a gente. Não machucaram. Eles deixavam a gente comer. Sabe, supergente fina. Mas... - Eles faziam ameaças. Gritavam que iam matar vocês. Viviane:Isso foi difícil de segurar, mas graças a Deus deu tudo certo. - Você chegou a rezar, pedir ajuda? O que mais você pensava na hora? Viviane: Pensava em ir embora, ver minha mãe, ver meu pai. - E a senhora, como está se sentindo agora? Sônia: Aliviada, tranquila. - E como foi passar a noite? Sônia: Agoniada, muita agonia. Mas quando eles liberaram ela (Suziane, às 22 horas), ela passou essa tranquilidade para nós e a gente passou a acreditar que ia acabar tudo bem. - A senhora esperava que suas filhas fossem tão tranquilas? Sônia: Não. Elas são maravilhosas. - O que você pensava? Suziane Santos Piovezan - Eu pensava que ia embora. - Quando você saiu, o que você disse a sua mãe que deixou ela mais tranquila? Suziane - Contei que eles não iam machucar ninguém. - Por que você acreditava nisso? Sônia: Porque eles prometeram para você, né? Eles prometeram para elas. - Dona Sônia, a senhora nunca imaginava que a escolha deles fosse pela casa da senhora? Sônia: Não. A gente sempre saía de casa, ia trabalhar tranquilo, elas ficavam lá, brincando à vontade. - E, agora, toma alguma providência em relação à segurança? Sônia: Com certeza. Agora o medo vai ficar junto com a gente. - Isso muda a vida de vocês? Sônia: Muda bastante. Essa tranquilidade não vai ter mais. - Qual o sentimento que a senhora tem em relação a essas pessoas? Sônia: Pena. Como eles mesmo passaram para elas, eles estavam fazendo aquilo de desespero, de pânico. O mesmo medo que elas estavam sentindo, eles também sentiam medo de morrer. Luiz Hamilton Piovezan: Temos que agradecer a Deus, à polícia e o trabalho de vocês (imprensa) e a todos. Agora está tudo bem. - O senhor pensava em suas filhas de que forma? Luiz: Elas comigo. - Como foi passar a noite? Luiz: Terrível. - O senhor chegou a dormir? Luiz: Não. Rezar, rezar, rezar. - O que o senhor quer mais fazer agora? Luiz: Agradecer mais a Deus para estar junto da gente sempre.


