A dona de casa Elvira Sutton, 85, teve o corpo encharcado com álcool durante os 30 minutos em que permaneceu como refém dos quatro homens armados que invadiram sua casa, em Santa Teresa (bairro da zona sul do Rio), ontem de manhã. Um dos assaltantes chegou a riscar um fósforo para incendiar a mulher mas a chama, apesar de acesa junto ao corpo, não se propagou.
Os assaltantes exigiam que Elvira entregasse dinheiro, jóias e abrisse um cofre. Como ela dizia que nada tinha de valor em casa, o bando decidiu queimá-la.
O empregado Carlinhos, que chegava para trabalhar, pode ter salvo a vida da patroa. Ele desconfiou de que algo acontecia na casa e avisou o neto de Elvira, o analista de sistemas Marc Sutton, 38, que mora em uma casa vizinha. Sutton telefonou para a PM (Polícia Militar).
Três PMs foram ao local, sendo recebido a tiros. Um sargento foi ferido, assim como dois assaltantes. Foi pedido reforço. A PM montou um cerco nas imediações da casa, do qual participaram 150 policiais militares -20 deles pertencentes ao Bope (Batalhão de Operações Especiais), considerada a tropa de elite da PM fluminense.
Chefiava a ação da polícia o tenente-coronel José Penteado, comandante do Bope. Dois dias antes, ele comandara o cerco policial ao ônibus em que o sequestrador identificado como Sandro do Nascimento fizera dez reféns. No episódio, a refém Geisa Gonçalves acabou morta.
Ontem, a equipe do Bope chegou logo após o fim do confronto. ‘‘Graças a Deus, dessa vez deu tudo certo. Não precisei negociar’’, afirmou Penteado quando deixava Santa Teresa.
Ficaram feridos na troca de tiros o sargento Cláudio Luís de Souza Alves, 36, baleado no peito, e dois assaltantes.
Elvira Sutton saiu ilesa do confronto, assim como os seis empregados que estavam na casa e também foram rendidos pelos assaltantes.

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